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Reflexões anticapitalistas

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Enviado por Interludium em: 21 - novembro - 2013 2 Comentários

As recentes decisões tomadas pelo STF e as condições de aprisionamento  dos 11 primeiros condenados do “mensalão”  repercutem de forma intensa na sociedade e permitem  observar  com riqueza de detalhes os resultados de um processo que, para além dos aspectos jurídicos e legais envolvidos, revela de forma magistral as tensões, desesperanças e rancores presentes no país nestes 30 anos de “democracia”.

As redes sociais estão entupidas por  manifestações de ódio e rancor contra “os mensaleiros”, “os corruptos”, os “petralhas” ao lado dos inevitáveis  “apoios”, “solidariedade” e  glorificação  da “bravura”, da “independência” e da habilidade de Joaquim Barbosa.

Diante dessa quase unanimidade nacional  resta-nos parabenizar aqueles que a construíram, o PT e seu governo e a grande imprensa conservadora, sempre atuante na defesa dos interesses econômicos hegemônicos no país.

 Emblemáticas as palavras da presidente Dilma  ao indicar em  18/11   que o advogado de José Genoíno “ foi mole” em não conseguir a prisão domiciliar para seu cliente. Tudo se reduz a um problema atitudinal de um advogado, nenhuma palavra em defesa dos militantes de seu partido presos e  submetidos a execração pública, nenhuma ponderação ou consideração sobre os erros e acertos que levaram esses  dirigentes políticos a prisão. Coisas de avestruz!

Essas considerações da presidente petista são um desrespeito a opinião pública, um desserviço ao entendimento dos fatos e aos movimentos sociais. Aqui o que importa não é a discussão, o ajuste de contas com os erros e a discussão sincera e  leal com a opinião pública e com os militantes do Partido, o que interessa é reeleger a Dilma, em conformidade com o manual lulista, onde se preservar  ocultando  cadáveres no armário é a regra. Quanto aos  dirigentes presos, azar deles, a vida segue e temos copa do mundo e eleições no próximo ano! Daremos a eles , se for possível, um  nome de uma sala no Instituto Lula.

A grande mídia a serviço dos  setores conservadores da sociedade trabalhou diuturnamente para convencer e converter junto a opinião pública o Processo do “Mensalão” em algo exemplar, único, uma virada na habitual complacência nacional para com a “corrupção”.

Contando com a recusa da direção do PT em tratar politicamente o tema , abrindo um debate sincero e transparente sobre  suas posições junto a militância e a opinião pública , ficou fácil  difícil definir e caracterizar os personagens centrais da trama  :de um lado os “maus” sob a batuta de  José Dirceu e de toda a rede político/comercial de arrecadação de fundos partidários  e de outro os “bons” sob inspiração e liderança de Joaquim Barbosa, um homem simples e que veio de “baixo”. De quebra  com Luís Inácio no papel de Godot.

A indignação popular com os “malfeitos” do Estado associada a deplorável  oferta de serviços públicos ( presentes nas Jornadas de Junho) foram adequadamente canalizadas contra os “mensaleiros”. Contudo ao sucesso obtido na penalização aos “mensaleiros” não consegue avançar e desmontar a estratégia lulista de reeleição de Dilma. Há algo perturbador aqui,  que revela que uma ação clara, honesta e repetimos sincera da direção do PT ao longo de todo o processo poderia ter obtido apoios e solidariedade efetiva na sociedade. Pena que esta possibilidade seja tão improvável como a conversão de água em vinho, e o flanco está aberto para os ataques permanentes, para o exercício da baixa política, para a criminalização dos movimentos sociais e para a disseminação do ódio às lutas e reivindicações do  povo pobre e ao próprio PT – dadas  suas origens e  sua trajetória  no combate a ditadura e na “redemocratização” do país. Tudo em nome da “democracia”. Coisa de abutres!

Passados quase 30 anos da luta pelas diretas  Fafá de Belém, a “musa” desse movimento, não se conteve e embargada de emoção quebrou o protocolo  e num evento de juristas ocorrido em Belém/Pará em 18/11  parabenizou Joaquim Barbosa pelas prisões.

Se trata de um gesto delicado para com nosso Torquemada.

Falta delicadeza e urbanidade republicana no trato com os prisioneiros do “mensalão”, ou como entender  o clima permanente de  vingança em nome da justiça, humilhações  midiáticas e a violação de seus direitos civis, incluindo a submissão de José Genoíno ao  risco de morte iminente , por falta de condições adequadas de  convalescença?

Temos que aprender: a  grande imprensa e as redes sociais  explicam que os “mensaleiros” estão tendo o mesmo tratamento que os milhares de presos que há no país, com as mesmas garantias e direitos que estes recebem. Afinal não estiveram sempre ao lado dos pobres? Pois  agora que vivam nas prisões e nas condições que estas oferecem aos que as habitam: os pobres que dizem defender. O  temor e ódio visceral ao nosso povo pobre são os fundamentos dessas “reflexões”. São essas as lições de “democracia” que pretendem nos ensinar.

Exigir que   que a lei penal se cumpra e que José Genoíno tenha o direito assegurado a prisão domiciliar são uma obrigação de todos os que não se curvam  aos poderosos e não se omitem na defesa das liberdades democráticas.

 (C. Andrés )

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Categorias: Política

2 Comentários

  1. Danilo Henrique disse:

    Tivemos em nosso país uma horda de ladrões, que desde a fundação do Brasil, assumiram o poder público objetivando benefício pessoal. Bem, essa falta de caráter, de forma alguma poderia ser catalogada como “menos grave”, uma vez que submeteu nossa população a toda sorte de males, oriunda da associação deste descaso governamental com uma preguiça e um quietismo típicos de nossas raízes culturais.

    O Partido dos Trabalhadores, de ideais socialistas, abriu um novo marco na história ao realizar um feito que dia para trás, dia para frente, era obvio de ocorrer: Utilizou-se da ganância e falta de caráter de nossos políticos para benefício do partido.

    Pagando importâncias mensais aos corruptos deste país, o PT objetivava certa perpetuação no poder. Ora amigo, a gravíssima ocorrência deste crime seria digna de pena de morte em certos lugares!

    O que o PT objetiva é impor sua ideologia gramsciana de transformar o Brasil (e por quê não a América Latina inteira) na repetição histórica trágica da União Soviética!

    Não é porque tivemos um golpe melhor elaborado que não foi um golpe meu amigo!

    Não há diferença do PT para a ditadura que tanto lutaram, exceto em possuírem interesses distintos.

    O que não cabe a população é ficar no fogo cruzado! Necessitamos impor nossa vontade através não apenas do repúdio a essa horda de loucos, como também a seus opositores!

    A direita e a esquerda deste país são bandidos! No entanto, não podemos dizer que a população brasileira não seja de fato representada. Este é o Brasil que o Brasil merece:

    Golpistas, vagabundos, ordinários, corsários, ladrões e maníacos!

    Estes são os autênticos representantes de nosso Brasil, que tanto carece de arroz, feijão e esclarecimento.

    Nenhuma distribuição de renda poderá ser efetiva em um país que não produz. E o pior, país que não produz por ser precário em todo tipo de educação. Não digo apenas a educação formal, a matemática, o idioma, a física, química, história, artes, filosofia, etc.

    Temos uma precária formação como cidadãos mesmo. Aqueles que nos representam, representam de fato o que somos. Uma nação de trambiqueiros, sem vergonhas e preguiçosos

    Quando tivermos um país de caráter, não será necessário a mídia nos dizer quem é “vilão” ou “mocinho”! Estaremos enfim acima dessas visões infantis que temos sobre a política e poderemos conduzir de fato nossas vidas de forma livre e bem-sucedida, podendo dar penas contundentes e justas de acordo com a gravidade de um outro crime!

    Enquanto isso teremos o deleite dessa infantilidade política típica, sustentada pela decadência da intelectualidade internacional, que imersa em modelos de realidade abstratos e sem vínculos com a realidade, ruma lentamente ao ridículo ante uma ciência efetivamente capaz de revelar a nossa consciência esclarecimento, lógica e razão de uma forma contundente!

  2. Danilo Nakamura disse:

    Nesse site não costumamos analisar o país de forma tão taxativa como essa: “O Brasil é o que é desde a sua fundação”. Nesse tipo de argumento não tem história, sociologia, economia… Nada, apenas julgamentos morais.

    Também não temos o costume de utilizar xingamentos como argumentos. Os jornais já tem representantes o suficiente para isso: Demétrio(s), Azevedo (s) e outros.

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