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Reflexões anticapitalistas

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Enviado por Jean Michel Bouchara em: 7 - março - 2016 1 Comentário

Ou se entende o que é o PT ou não se entende nada do que está se passando. A construção de uma organização de massa é algo bem diferente do que seguir uma receita de bolo. Não se trata de colocar uma pitada a mais de leninismo ou tirar algumas gotas de luxemburguismo e ir provando o bolo até que fique bom. Trata-se do processo de luta de classes, e o que a classe operária brasileira, o povo oprimido brasileiro, conseguiu erguer é o PT. E, cá entre nós, não é pouca coisa. É o que as condições objetivas e subjetivas, a maturidade das discussões doutrinárias e programáticas e, principalmente, a realidade da luta de classes permitiram. Deu para fazer isso, não deu para fazer outra coisa.

Por isso, por seu significado concreto, o PT e seu dirigente histórico precisam ser destruídos. Para a classe dominante é uma necessidade. O que parte da esquerda não quer entender, a burguesia entende perfeitamente. Não se trata, perdoe-me Sr. Boulos, de fazer o PT capitular. Isso não basta mais. O PT já capitulou, mas o capital quer mais. Levy não basta. O ajuste fiscal não basta. A reforma da Previdência não basta, a mal disfarçada entrega do Pré-sal não basta. Precisa destruir o PT e dessa forma dispor do Brasil e de suas riquezas sem resistência fora alguns espasmos. E espasmos, nossa elite que já arrasou os Sete Povos das Missões, Palmares, Canudos, o Malês etc.. e que hoje, só em SP, tem uma PM que mata no mínimo dois por dia, sabe muito bem como enfrentar.

Em poucas palavras, precisa-se destruir o PT para poder impor uma completa derrota ao povo brasileiro. É disso que se trata.

É disso que se trata há no mínimo dois anos. Esse movimento nada tem a ver com a política covarde ou corrupta do PT. Há uma necessidade que nem é brasileira, é mundial, do capital, de integrar o Brasil à divisão internacional do trabalho, das riquezas e do poder, que não é compatível com a presença do PT, mesmo rendido. O salário mínimo precisa ser reduzido, o que resta de capital nacional entregue ao imperialismo, a política externa não pode mais sequer ter nuance de independência, as elites precisam voltar a ter o monopólio das vagas nas universidades públicas etc…

Para isso viola-se o pouco de soberania popular, o voto nas presidenciais, que o PT tem a irritante mania de vencer. Captura-se para interesses privados três dos principais pilares do estado burguês que são a Justiça, o MP e a Polícia, e, com o auxílio das lideranças de direita e da mídia, constrói-se o golpe. E sexta-feira, dia 04.03.2016, tivemos o líder do único partido expressivo que não é da elite virtualmente sequestrado por um comando estilo ‘ninja’ armado até os dentes, com fuzis automáticos. Na noite seguinte, sedes do partido e do Instituto Lula são depredadas.

O que por exemplo o PSOL tem a dizer sobre esses fatos? Isso: http://www.psol50.org.br/2016/03/nota-do-psol-sobre-a-operacao-aletheia/

Nada se fala da ofensiva reacionária, da necessidade de preservar as organizações e as lideranças de classe. Apenas um nhé-nhé-nhé sobre como nós do PSOL somos legais, ninguém nos investiga, achamos muito feia a corrupção e julgamos que a última operação forçou um pouco a barra.

Isso indica, na hipótese mais benigna, que não estão entendendo nadinha do que se passa, e nem mesmo o que é o partido do qual o próprio PSOL nasceu. Mas não acredito na hipótese benigna. Para mim é sectarismo mesmo. Uma doença que cega a esquerda e impede o que hoje é mais necessário que nunca: a Frente Única. Trotsky escreveu quilômetros sobre o assunto e no Brasil, em alguns momentos, os trotsquistas ajudaram a sua constituição. Essa unidade não implica em compactuar com o PT, em perda de identidade, renúncia à independência, nada disso, apenas numa firme unidade contra a reação. Isso a esquerda não petista não percebe ou não quer perceber. E hoje a defesa dos trabalhadores brasileiros passa por impedir a destruição do PT e a destituição da Dilma.

Se formos derrotados a reação vai nos pisotear democraticamente, sem diferença entre os petistas capituladores e os não-petistas “revolucionários”.

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Categorias: Debate, Política

Um comentário

  1. Mas ao que tudo indica, as esquerdas sucumbirao a um acordao em desenvolvimento no mesmo corrupto congresso que condenam, mas contra a qual nao sinalizam nenhuma alternativa popular.

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