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O trabalho dos motoristas de caminhão

A relação entre atividade, vínculo empregatício e acidentes de trabalho

Luna Gonçalves da Silva*

Apesar dos diversos estudos realizados com motoristas de caminhão, poucas pesquisas analisaram o trabalho desses profissionais baseando-se na descrição da atividade feita por eles mesmos. O conhecimento dos próprios motoristas sobre sua atividade, assim como dos acidentes, pode contribuir para a elaboração de medidas para a redução de acidentes, bem como ações que visem à promoção de saúde destes trabalhadores. O objetivo da presente tese foi conhecer e analisar a atividade, os aspectos da organização do trabalho e acidentes de motoristas de caminhão com diferentes vínculos empregatícios, partindo do relato dos próprios trabalhadores.

O estudo realizou-se em uma empresa transportadora localizada no Estado de São Paulo, no ano de 2010, a partir de encontros nos quais grupos de motoristas de caminhão, que participaram de forma voluntária, descreveram às pesquisadoras sua atividade. A partir dos dados obtidos, construíram-se as seguintes categorias: trabalho, saúde, repercussões do trabalho na vida familiar e social, vínculos empregatícios e acidentes de trabalho. Os resultados obtidos foram validados em reunião com os próprios trabalhadores.

Quatro tipos de vínculos empregatícios foram encontrados na população do estudo: contratados, agregados, terceirizados e quarteirizados. Trabalhadores contratados e agregados queixaram-se do sistema de rastreamento e da atividade de enlonar e desenlonar o caminhão, diferentemente do relato dos terceirizados. Por outro lado, o relato dos terceirizados é semelhante ao dos agregados, pois em ambos os vínculos há possibilidade de maior autonomia no trabalho, maior retorno financeiro e escolha da data de retorno para casa. Entretanto, a instabilidade financeira e o desamparo de direitos trabalhistas são queixas frequentes desses trabalhadores, o que não ocorre com os motoristas contratados.

Dentre os vínculos estudados, motoristas agregados e quarteirizados são os que apresentam as condições de trabalho mais difíceis. O uso de drogas; o cansaço físico e mental; as ultrapassagens; a falta de profissionais qualificados no mercado; o sistema de rastreamento; a comissão e determinados tipos de carga estão relacionados aos acidentes envolvendo esses profissionais.

Leia o texto completo da tese de mestrado de Luna Gonçalves da Silva, apresentada em fevereiro de 2011 à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP):
O trabalho dos motoristas de caminhão: a relação entre atividade, vínculo empregatício e acidentes de trabalho.

 

* Luna Gonçalves da Silva, graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), fez mestrado na Faculdade de Saúde Pública da USP.

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