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Incêndio da Cinemateca Brasileira

Até quando o Brasil e os brasileiros suportarão tanto descaso e tantos ataques à sua memória?

O Brasil a cada ano que passa perde mais e mais a pouca memória que conseguiu a duras penas conservar. Infelizmente o que aconteceu na Cinemateca Brasileira, o quinto incêndio, vem de muito antes do atual governo das trevas. Esses incêndios marcam a trajetória desta que é uma das mais importantes instituições de preservação de acervos de cinema do mundo e a reserva histórica do cinema nacional.

É uma história que se repete como tragédia. Basta lembrar o incêndio do Museu Nacional em 2018, também anunciado, que ocorreu por causa da falta de verbas para manter pessoal técnico que o preservasse.

A força, o talento e até o sangue dos que lutaram por um mundo melhor, mais justo, sensível e solidário deve ser apagada e esquecida, ao mesmo tempo em que, numa inversão total de valores, muitos lamentam o incêndio da estátua do escravocrata e genocida Borba Gato, deixando claro o tipo de memória que se quer preservar.

E os governantes, as empresas e a mídia do Capital contribuem a seu modo, colocando no lugar da memória, da história, o imediatismo dos reality shows, das fake news e redes sociais.

E nada vai mudar até que resolvamos reagir a tudo isto. Esperemos que a reação aconteça antes de que tudo o que ainda está preservado seja destruído!

“Um crime”

A convicção de que o que ocorreu na cinemateca é mais que uma fatalidade foi o tema mais repetido por profissionais da área de cultura em entrevistas e posts nas redes sociais. “Assim como no Museu Nacional, isso não foi uma fatalidade. O abandono das instituições públicas brasileiras de memória é um assunto escandaloso”, disse o presidente da Sociedade Amigos da Cinemateca, Carlos Augusto Calil, que foi seu diretor e secretário de Cultura de São Paulo, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo.

“O que se perdeu agora no depósito foi o que havia sobrevivido à inundação de fevereiro de 2020. O que a água começou o fogo terminou”, acrescentou Calil. “Francamente, não sei mais o que esperar. Eu achava que tínhamos chegado ao fundo do poço, mas pelo visto não chegamos.”

Para a historiadora Eloá Chouzal, da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), o incêndio não é um “desastre”, mas sim um “crime”, dada a negligência do governo. “A gente vem há um ano e meio alertando o governo sobre a iminência desse desastre. Para mim, é um crime. O coração da Cinemateca é o seu acervo. Se você não cuida, se não tem trabalhadores, técnicos especializados, que monitoram o que está acontecendo nesse acervo, ele está abandonado”, disse Eloá, em entrevista a Marilu Cabañas, para o Jornal Brasil Atual.

“Há um ano e meio a gente vem fazendo manifestações de todos os tipos: presenciais, mesmo em meio à pandemia, nas redes, com pessoas do mundo inteiro. Inclusive com federações internacionais manifestando preocupação com o risco de perda desse patrimônio”, contou Eloá.

A Rede Brasil Atual e o Jornal Brasil de Fato rememoram o histórico de ataques à Cinemateca Brasileira nos últimos anos, nas reportagens Incêndio que atingiu galpão da Cinemateca Brasileira é controlado e O que se perde quando o acervo de uma cinemateca queima?

As imagens do incêndio e do estado em que ficaram o prédio e as salas são do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

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