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Mais uma arbitrariedade judicial: Paulo Galo preso

Paulo Galo, do coletivo Revolução Periférica, foi preso hoje, quando se apresentou voluntariamente ao 11º Distrito Policial para depor sobre o incêndio da estátua de Borba Gato na zona sul de São Paulo. A surpresa com a detenção, incomum em casos em que não há vítimas, não ficou por aí. A juíza também determinou a prisão de sua companheira, Géssica Barbosa, que nem mesmo estava no ato de protesto. Mais uma vez, o judiciário toma uma atitude arbitrária porque os acusados são trabalhadores, militantes e da periferia. Isso tem que parar. Paulo e Géssica devem ser soltos e responder ao processo em liberdade!

Como bem resumiu o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), em uma nota sobre o caso: “A prisão preventiva, que já era injustificável, se torna ainda mais surreal se considerado o fato de que Gessica não esteve sequer presente no local ou na organização dos atos do dia 24. Ambos têm um filho de três anos de idade que, com a decisão, fica desprotegido. Mais uma vez, o poder público se coloca contra os trabalhadores, periféricos e ativistas do país.”

Um dos líderes do grupo Entregadores Antifascistas, que na prática funciona como um sindicato dos entregadores de serviços de aplicativos, Paulo Galo assume ter participado do protesto. Ao chegar ao 11º DP para depor, ele disse à jornalista Laura Capriglione, dos Jornalistas Livres, que com a ação de sábado o coletivo pretendia colocar em discussão a homenagem de genocidas, assassinos e estupradores com estátuas.

“O ato que foi feito no Borba Gato foi para abrir um debate. Em nenhum momento aquele ato foi feito para machucar alguém ou querer causar pânico na sociedade”, disse Galo. “O objetivo do ato foi abrir o debate. Agora, as pessoas decidem se elas querem uma estátua de 13 metros de altura de um genocida e abusador de mulheres”, acrescentou, numa referência à história do bandeirante Borba Gato.

“Para mim é absolutamente surreal”, contou Jacob Filho, advogado do casal, em entrevista à Ponte Jornalismo. “Você pega políticos que foram presos, mas a mulher não, porque tem um filho menor. Mas quando se trata de uma mulher negra, periférica, aí sim. A Géssica tem uma criança de três anos. Você tem uma decisão da Suprema Corte que veda esse tipo de prisão, mas ela está mantida”, completou. Um habeas corpus coletivo do Supremo Tribunal Federal (STF) de fevereiro de 2018 determina que mães com filhos de até 12 anos que tenham prisão cautelar decretada cumpram prisão domiciliar.

A prisão de Paulo Galo e Géssica provocou fortes reações e repercutiu nas redes sociais, com um movimento por sua liberdade, #LiberdadeParaGaloEGessica.

“É de se impressionar a rapidez com que o Estado manda prender alguém por queimar uma estátua, mas até hoje não conseguiu descobrir quem lançou uma bomba no Instituto Lula, quem atirou contra o ônibus da caravana e quem mandou matar Marielle Franco”, escreveu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu perfil no Twitter.

“ABSURDO! Recebi agora a informação de que foram expedidos mandados de prisão do Paulo Galo, entregador antifascista, e de sua companheira Jessica por conta do ato na infame estátua do Borba Gato. Inaceitável!”, postou Guilherme Boulos.

A vereadora Luana Alves, líder do PSOL na Câmara, protestou especialmente contra a detenção de Géssica: “A prisão de Gessica, esposa de Paulo Galo, é um exemplo de racismo e machismo. Gessica não estava na ação contra a estátua de Borba Gato, não tem nada que a ligue ao fato. É uma mãe de criança pequena, trabalhadora, endereço fixo. É simplesmente perseguição.”

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) gravou um vídeo em apoio a Paulo e Géssica. “Tudo isso porque ele está lutando. Lutando contra uma estátua que nem deveria estar em praça pública. Um sujeito que cometeu todo o tipo de atrocidade. E agora eles querem decretar que lutar é crime”, disse. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) foi na mesma linha: “URGENTE! Liberdade Já para Paulo Galo e sua esposa Géssica. Basta de perseguição política. A estátua de Borba Gato deveria estar num museu como o do Holocausto, para lembrar que escravocratas, genocidas e estupradores não devem ser homenageados.”

A presidente do PT, a deputada federal (PR) Gleisi Hoffmann, criticou a arbitrariedade. “Nada disso acontece com os bolsonaristas que espalham violência por aí”, cobrou.

Com informações de Rede Brasil Atual, Ponte Jornalismo, Brasil de Fato, Jornalistas Livres, Revista Fórum e site do PT.

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