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Protestos na França

Coletes amarelos, faixa, Bordeaux
Faixa de protesto: Franceses (as ) - mesma formação/Estrangeiros (as) - mesmos direitos/Contra a vida cara/#eu já sofro

A passeata dos coletes amarelos em Bordeaux

Nivaldo Bastos

Na França, as manifestações dos coletes amarelos continuaram neste 8 de dezembro. Em Bordeaux, onde foram feitas as fotos que acompanham este artigo, a concentração começou às 13 horas, na Praça da Bolsa, e mesmo antes se percebia o enorme afluxo de gente vinda de todos os cantos da cidade. Todos vestiam coletes amarelos e cada um trazia sua mensagem escrita nas costas.

A palavra de ordem dominante era MACRON, DÉMISSION!, mas como se trata de um movimento de base, organizado por bairros e sem um comando centralizado, as mensagens nos coletes eram as mais variadas, com predominância para aquelas que protestavam contra o alto custo de vida e a parcialidade do governo que beneficia os ricos e piora a vida dos mais pobres.

Foram quase seis quilômetros de passeata pacífica com batucada (sim, e da boa!!), apoio de motociclistas fantasiados de Papai Noel e enorme apoio popular.

Quando a manifestação, que deve ter reunido mais de 50 mil pessoas, chegou à prefeitura, as “forças da ordem” começaram a lançar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

A partir daí instaurou-se uma certa confusão e muita gente debandou, porque a grande maioria queria apenas manifestar-se, não guerrear. Mesmo assim houve atrito forte entre os cidadãos que se manifestavam e as forças policiais.

O movimento, que é nacional, ocupa todos os noticiários franceses e mostra uma força surpreendente, posto que nasce da revolta contra um custo de vida insuportável para os que estão na base da pirâmide da sociedade francesa.

Logotipo do La Sociale

Agora, tudo pode acontecer

Denis Collin
Chegamos no ponto crítico. Ou o movimento recua e dá a vitória à estratégia do governo de deixá-lo apodrecer. E nesse caso Macron perde as próximas eleições, mas segue fazendo seu trabalho sujo. Ou o movimento se aprofunda, arrastando tudo. O acontecimento mais importante se deu ontem em Puy en Velay, quando o “rei” mostrou-se nu e precisou fugir com sua comitiva. Não é comum um evento oficial acabar em plena debandada. Lembremos o dia 5 de dezembro de 1980, quando, numa visita em Valognes, no departamento da Manche, no qual era vencedor das eleições, o então presidente Giscard d’Estaing foi acolhido por uma chuva de maçãs podres atiradas pelos camponeses. O evento de ontem no Puy equivale às maçãs de Valognes.1

A questão do poder está colocada. Entrevistado por pela rádio France-Inter, um colete amarelo resumia as reivindicações que, segundo ele, são consensuais: redução das taxas2, melhoria dos serviços públicos, aumento do salário-mínimo e das aposentadorias e mudança das instituições de modo que, afinal, o povo seja representado.

A última delas é muito significativa. É o que expressa a palavra de ordem “fora Macron” que vemos nos entroncamentos rodoviários e rotatórias3. Como tal reivindicação pode ser atendida? Os coletes amarelos de Commercy clamam pela formação de comitês populares em todos os lugares. Trata-se de erguer, frente ao poder da casta, o poder do povo. Essa questão pode ser resolvida com o avanço do movimento. Os franceses costumam melhorar quando grandes acontecimentos se aproximam e agora podemos esperar o melhor. De todo modo, a dissolução do movimento pretendida por alguns não passa de uma tentativa de salvar um regime acuado.

Escrito em 5 de dezembro no blog La Sociale

Macron recua?

Em rede de TV no dia 10 à noite, o presidente Emmanuel Macron pediu "calma" à população e anunciou algumas medidas. Entre elas, um abono de 100 euros para quem ganha salário-mínimo. Resta saber se isso acalmará os manifestantes. Os atos de protestos do próximo sábado estão confirmados.

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