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João Antonio Santos Abi-Eçab (1943-1968)

Comissão Nacional da Verdade, 2012.

João Antônio era estudante de Letras na FFLCH-USP em 1967. Sua vivência política se deu logo no início da universidade, participou dos movimentos estudantis, foi diretor acadêmico de Filosofia e militou pela ALN (Aliança Nacional Libertadora).

Em outubro de 1967 foi detido pelo DOPS da capital paulista indiciado por “terrorismo” em suas falas e organizações no Centro Acadêmico de Filosofia. Entretanto, no mesmo mês foi solto graças a um habeas corpus, direito que só fora concedido pois sua prisão ocorreu um ano antes da implementação do AI-5 (Ato Institucional nº5).

Em maio de 1968 casou-se com Catarina Helena Xaxier, colega de curso e companheira do movimento estudantil. Neste ano ambos endossaram sua participação na ALN. Na época, após a implementação do AI-5, um dos atos mais cruéis sancionados pela ditadura a maioria das mortes e desaparecimentos eram encobertos pelo governo. Muitos morriam por supostos suicídios, acidentes de carro etc. Todos engendrados pelos militares.

O mesmo ocorreu com João e Catarina. No dia 8 de novembro de 1968 ambos se encontravam em um carro na avenida BR-116, na altura da cidade de Vassouras (RJ), quando seu automóvel colidiu contra traseira de um caminhão. No momento do ocorrido Catarina faleceu no mesmo instante, enquanto João foi retirado do local ainda com vida, mas morreu logo em seguida.

A morte do casal até hoje não é bem esclarecida. Na época, a primeira versão divulgada pelo boletim de ocorrência sustentava que ambos haviam morrido em um acidente de carro porem, no veículo, teriam sido encontrados uma metralhadora, munição, dinheiro e documentos pessoais das vítimas.

Em 2005 com a abertura da CEMDP (Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos), reconheceu a responsabilidade do Estado Brasileiro pelo ocorrido. Na análise do caso constatou-se que que o acidente teria ocorrido por perseguição ao veículo do casal.

O relator do caso de João e Catarina, Belisário dos Santos Jr destacou “à época a polícia política foi a primeira a chegar ao local do acidente. Afirmou ainda que não houve perícia de local e nem mesmo laudo necroscópico. Frente a esses fatos, levantou a possiblidade de que as armas encontradas no carro tenham sido, na verdade, “plantadas” no local para justificar a morte dos militantes e afastar a suspeita de participação do Estado no óbito.”

Em 2014 a CNV (Comissão Nacional da Verdade) elaborou um “Laudo Pericial Indireto” sobre o caso. Sua conclusão apontava para a veracidade do acidente engendrado pelo governo militar.

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