Pela primeira vez em dez anos, o Instituto Vladimir Herzog teve seu planejamento anual rejeitado pela Secretaria de Cultura do governo federal. A rejeição, que não foi acompanhada de nenhum parecer ou justificativa legal, nega recursos para os vários projetos da entidade, uma das mais importantes na área de preservação da memória histórica e na defesa dos direitos humanos. Cemap-Interludium já assinou o manifesto de defesa do instituto e de cobrança do governo e chama organizações dos movimentos sociais, instituições e coletivos a fazerem o mesmo.
Categoria: Acervos
O Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro deixou de existir depois de 47 anos de serviço na preservação da memória da luta dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. O CPV, em 31 de julho de 2020, após fazer uma previsão de seu planejamento interno, daria um destino aos documentos de seu acervo, e posteriormente lançará o Projeto Memória CPV, em data ainda a ser confirmada.
Para celebrar o lançamento do Acervo Vladimir Herzog na sexta-feira (26 de junho, véspera do 83º aniversário do nascimento de Herzog), foi realizada uma live do Instituto Vladimir Herzog, com a participação de Bianca Santana, Ivo Herzog, Luis Ludmer e Rogério Sottili.
A live foi gravada e pode ser acessada no Youtube, pelo link Acervo Vladimir Herzog – vida e memória em defesa da democracia.
Com fotografias e correspondências, o acervo contabiliza mais de 1.700 itens digitalizados sobre a trajetória profissional e pessoal do jornalista. Produto de dois anos de trabalho, o projeto preenche um vão histórico, disponibilizando à sociedade também a vida e a obra de Vladimir Herzog, para além do trágico episódio de seu assassinato por agentes da ditadura militar, em outubro de 1975.
Nestes tempos em que a história e a memória estão sob ataque direto até do próprio Estado, entidades e profissionais da área de acervos de São Paulo vão se reunir pela primeira vez para discutir linhas de atuação para preservar e divulgar patrimônios documentais. O 1º Encontro Paulista de Patrimônio Histórico-Documental acontece entre os dias 13 e 15 de maio e é aberto a todos os interessados.
O acervo do Cemap e as lutas populares
Tornarem-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. Os esquecimentos e os silêncios da história são reveladores desses mecanismos de manipulação da memória coletiva
(Jacques Le Goff, História e Memória)
Todo mundo já ouviu falar de amnésia, aquele distúrbio que envolve a perda parcial e total da memória. E perder a memória é uma possibilidade terrível, considerando que a nossa personalidade é fundada em nossas lembranças, naquilo que nos ocorreu da primeira infância até hoje. Ou, como diz a linguagem popular, “desde que me conheço por gente”. Perder a memória é quase sinônimo de perder a identidade; de não ser mais sujeito, e sim objeto.
Se essa possibilidade já é assustadora para um indivíduo, imagine-se para um país, um povo, uma sociedade.
Sobre o incêndio no Museu Nacional
Cemap-Interludium vem a público com profunda indignação expressar sua tristeza diante do incêndio ocorrido em 2 de setembro no Museu Nacional, o quinto mais importante museu do mundo. Os profissionais que lá trabalharam e continuarão a trabalhar há muito sabiam que esta era uma tragédia anunciada, e denunciavam isto, tamanho o descaso e a falta de investimento que assegurasse seu funcionamento em condições minimamente seguras.
Mas este é o país em que alguns governos fazem questão de explicitar, de maneira inequívoca, a pouca ou nenhuma importância que tem a memória histórica e a cultura do seu povo, porque não têm nenhum compromisso com ele.





