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‘Do partido único ao stalinismo’

Nota de leitura sobre o livro recém-lançado de Angela Mendes de Almeida.

Isabel Loureiro*

Cada crise engendra não só um novo futuro, mas um novo passado.
“O fundo do ar é vermelho”, Chris Marker

Neste pesadelo em que a roda da história girou algumas décadas para trás, assistimos ao retorno do fascismo e ao revival midiático de seu irmão siamês, o stalinismo. Nas redes sociais pulula a defesa da Rússia, da Coreia do Norte, da China como países supostamente socialistas. E o mesmo acontece com a antiga URSS: os gulags e a violência contra os adversários políticos são justificados – vistos como mal menor na construção da “pátria socialista” contra o imperialismo norte-americano –, prova provada de que a ideia de aperfeiçoamento contínuo da humanidade não passa de ilusão.

É bem verdade que o desejo de retorno a uma mítica idade de ouro comunista que nunca existiu, por parte de uma parcela da juventude de esquerda que se autodenomina revolucionária, decorre do desespero ante a barbárie capitalista, acentuada com a pandemia de covid-19, e também do desencanto com a tibieza da esquerda reformista e de suas políticas de gestão do capitalismo. Ao mesmo tempo existem tentativas sérias de jovens militantes de organizações marxistas-leninistas de atualizar a política de Lenin, fazendo uma releitura das ideias de vanguarda revolucionária e de centralismo democrático, que, como sabemos, sempre foi mais centralista que democrático. Este livro, ao mostrar os impasses a que levou o autoritarismo comunista, é imprescindível para todos eles.

Soou o alarme: a crise do capitalismo para além da pandemia

Novo livro de Soleni Biscouto Fressato e Jorge Nóvoa da editora perspectiva, traz uma reunião de textos de diversos intelectuais, professores, historiadores e economistas sobre a crise do capitalismo para além da pandemia da Covid-19.

Neste contexto, a obra apresenta um denso debate acerca das fragilidades e graves inconsistências do modelo capitalista, em especial o neocapitalismo, que vêm corroendo a vida de milhões de pessoas em extrema vulnerabilidade social, esgotando os recursos naturais da terra de maneira sistemática e criando uma crise climática sem precedentes. Indicando a precarização do trabalho, o aumento vertiginoso das desigualdades sociais, a aniquilação da cultura e do meio ambiente como foco central da discussão.

Podcast Persigo São Paulo: A batalha da praça da Sé

O podcast lançado pela página Persigo São Paulo, no Spotify, com locução e direção de Gabriela  Lancellotti,  visa abordar a história da cidade de São Paulo que não é descrita de forma clara por quase nenhuma mídia hegemônica. Como ela mesma apresenta na descrição de seu programa: “São Paulo é difícil de entender. Mas isso não significa que ela não tenha coisas incríveis para contar. Bem vindos ao Persigo São Paulo, um podcast que vai olhar um pouco mais de perto para as histórias que a cidade não te mostra todo dia.”

CPV Vergueiro encerra seus trabalhos

O Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro deixou de existir depois de 47 anos de serviço na preservação da memória da luta dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. O CPV, em 31 de julho de 2020, após a previsão de seu planejamento interno, daria um destino aos documentos de seu acervo, lançando posteriormente o Projeto Memória CPV, que ainda terá data de confirmação da publicação.

Unesp lança livros gratuitos

Coleção Cultura Acadêmica ganha 14 títulos

A Unesp e a Editora da Unesp lançaram esta semana 14 novos livros em formato digital nas áreas de Ciências Humanas, Ciências Sociais e Aplicadas e Linguística, Letras e Artes. As obras são editadas pelo selo Cultura Acadêmica, da Editora da Unesp, e podem ser baixadas gratuitamente no site da coleção.

Com o Programa de Publicações Digitais, criado em 2009, a Unesp divulga em formato digital trabalhos de seus docentes, pós-graduandos e pós-graduados. A coleção Cultura Acadêmica já tem mais de 300 títulos, todos disponíveis no site.

Debate: Diálogos com Vito Letizia 3

Lançamento de 2017: Uma revolução confiscada  Lançamento de 2017: Uma revolução confiscadaLançamento de 2017: Uma revolução confiscada

Os vídeos do lançamento de ‘1917: Uma revolução confiscada’

1917: Uma revolução confiscada, que encerra a série Diálogos com Vito Letizia, foi lançado em 25 de outubro de 2017, com um debate no Centro de Documentação e Memória (Cedem) da Unesp, no centro de São Paulo. A historiógrafa do Cedem Solange Souza e a presidente do Cemap-Interludium, Lucia Pinheiro, fizeram a apresentação do debate, que teve como expositores a professora doutora Isabel Loureiro, colaboradora da Fundação Rosa Luxemburgo e membro do conselho científico da Sociedade Internacional Rosa Luxemburgo, e o professor doutor José Arbex, professor do Departamento de Jornalismo da PUC-SP e integrante do Cemap-Interludium. Confira os vídeos do debate:

O pensamento prático da liberdade

Uma resenha de ‘Contradições que movem a história do Brasil e do continente americano’, de Vito Letizia.

Emmanuel Nakamura

Uma amiga e colega do grupo Interludium costuma dizer que somos – refiro-me à “ala jovem” do grupo Interludium – “filhotes do Vito”. Talvez por esse motivo seja para mim tão difícil escrever uma resenha sobre o livro do Vito Letizia:1Primeiro volume de “Diálogos com Vito Letizia”, Contradições que movem a história do Brasil e do continente americano foi lançado em 28 de outubro de 2014. falta-me talvez um distanciamento crítico não apenas em razão dos nove anos de amizade com ele, mas fundamentalmente porque fui educado pelo Vito Letizia a pensar a política. Assim como a educação que recebemos de nossos pais tem o objetivo de que seus filhos possam viver uma vida universal ao prepará-los para a vida em sociedade, foi com o Vito Letizia que recebi a educação para pensar essa vida universal em seu âmbito político. Por isso, resenhar esse livro tem para mim também o difícil significado de distanciamento autocrítico.