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Tag: crise econômica

Mobilização contra a reforma da Previdência

Ato contra reforma da previdênciaCom a tentativa do governo de retomar a votação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, as mobilizações contra a reforma da Previdência voltam a crescer e as centrais sindicais preparam um manifestação monstro para o 1º de Maio. A CUT abriu um site específico, chamado Na Pressão, para ajudar os trabalhadores a pressionarem os deputados da comissão contra a proposta. Além das manifestações e protestos, movimentos sociais e sindicatos intensificam o esforço para informar os trabalhadores de todos os prejuízos embutidos na reforma, com uma agenda cheia de debates e seminários nos próximos dias. Também circula na internet uma cartilha que resume em 44 itens os maiores problemas com relação à reforma da Previdência.

Servidores de São Paulo

Ato em 4/2 contra o Sampaprev 4
Nem mortos aceitaremos a reforma da previdência?
Perguntas sobre a luta dos servidores municipais contra o Sampaprev

Danilo C. Nakamura

No dia 26 de dezembro de 2018, Bruno Covas, o prefeito da cidade de São Paulo, demonstrou de forma bastante didática como a democracia foi substituída por uma tecnocracia que busca garantir, a qualquer custo, os interesses do capital. O jovem prefeito – que procura vender a imagem de um social-democrata capaz de resgatar o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) da guinada conservadora protagonizada pelo seu antecessor na prefeitura – conseguiu que a Câmara aprovasse o Projeto de Lei 621/2016. Assim sendo, a reforma da previdência municipal foi aprovada antes que a Câmara de Vereadores entrasse em férias. Uma façanha que seu antecessor, João Dória, com todo seu autoritarismo, foi incapaz de concretizar, pois enfrentou um massivo movimento de resistência dos servidores municipais.

Relatório da OIT 2018

Nível de crescimento dos salários é o mais baixo desde 2008

Melhora na economia mundial não se reflete nas remunerações

Informe Mundial sobre Salários OIT 2018O crescimento do valor dos salários em nível mundial continua a cair. No Informe Mundial que acaba de lançar, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) constata que a taxa de crescimento dos salários em 2017 foi a mais baixa desde 2008, e está bem abaixo dos níveis anteriores à crise financeira mundial, apesar dos dados que apontam para uma recuperação econômica na maioria das regiões.

Essa taxa caiu de 2,4% em 2016 para 1,8% em 2017. Os países ricos da Europa Ocidental tiveram praticamente zero de crescimento de salários, enquanto os Estados Unidos mantiveram uma taxa de 0,7%, igual à de 2016. A região da América Latina e Caribe teve um saldo ligeiramente positivo e o Brasil, especificamente, houve uma reversão com relação aos dois anos anteriores: a taxa foi de 2,3%, depois de ficar em -1,9% em 2016 e -0,3% em 2015.

Os países chamados de emergentes tiveram resultados melhores do que os países ricos, de forma geral. Sempre é bom lembrar de que se trata de um porcentual de crescimento; em termos de valor, os salários dos países emergentes continuam baixos e, em muitos casos, são insuficientes para cobrir as necessidades básicas das famílias.

Pragmatismo econômico, miopia política

Merkel e Sarkozy, no Congresso de 2011 do Partido Popular Europeu (PPE), em Marselha (PPE, 8/12/2011).

Há cerca de dois anos as principais lideranças políticas europeias se comprometiam com uma estratégia econômica, para enfrentar os impactos da crise “americana”, baseada na ideia de que a austeridade fiscal e a depreciação interna de salários resolveriam os problemas dos Estados nacionais endividados.

Tal formulação – defendida por Merkel, secundada por Sarkozy – se fundamenta na convicção de que a crise ganhou terreno e profundidade em função da atuação irresponsável dos governos do sul da Europa, pela recusa obstinada destes em aceitar sua existência (Zapatero e Berlusconi) combinada com a aceleração do processo de comprometimento de parte dos orçamentos nacionais em iniciativas de redução dos impactos sociais da crise (seguro-desemprego; ampliação das ações da rede de proteção social para com os segmentos mais fragilizados; subsídios à atividade industrial e de serviços).

O exemplo grego – a voracidade do capital ataca os Estados

Manifestantes protestam na frente do Parlamento grego, em Atenas, em 29 de junho de 2011. Foto de Georgios (Ggia, Wiki Commons).

Não é mistério para ninguém que, embora as empresas reclamem da alta carga tributária, todo e qualquer imposto tem origem no cidadão. Os tributos pagos pelas empresas estão embutidos no preço dos produtos e serviços. só sendo devidos quando efetivado o consumo. Há uma classificação básica que pode dar conta de grande parte dos tributos existentes no Brasil: os gerados pela produção/circulação de produtos, os decorrentes da prestação de serviços, os impostos sobre a renda e as contribuições sociais. Em todos os casos, o imposto pode ser considerado como uma parte da mais-valia que não fica na mão do empresário.

As dívidas ilegítimas

François Chesnais (*)

Na primavera de 2010, os grandes bancos europeus, em primeiro lugar os bancos alemães e franceses, convenceram a União Europeia e o Banco Central Europeu de que o risco de falta de pagamento da dívida pública da Grécia colocava em perigo o seu orçamento global. Eles pediram para serem postos ao abrigo das consequências da gestão das referidas instituições. Os grandes bancos europeus foram fortemente ajudados no outono de 2008, no momento em que a falência do banco Lehman Brothers em Nova York conduziu a crise financeira ao paroxismo. Após o seu salvamento, eles não depuraram todos os ativos tóxicos das suas contas. E continuaram, ainda, a fazer colocações financeiras de alto risco.

Para certos bancos, a mínima falta de pagamento significaria a falência. Em maio de 2010, um plano de salvamento foi montado, com uma vertente financeira e uma vertente de austeridade orçamentária drástica e de privatização acelerada: fortes baixas nas despesas sociais, diminuição dos salários dos funcionários públicos e redução do seu número; novos ataques ao sistema de pensões, sejam elas por repartição ou por capitalização.

Vito Letizia no Seminário das Quartas

Crise do capitalismo: a participação de Vito Letizia no Seminário das Quartas de 26 de outubro de 2011, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

Apresentador – Vito Letizia é professor aposentado da PUC de São Paulo e está aqui em São Paulo por conta do lançamento do site Cemap-interludium.org.br, onde a gente reuniu os textos do Vito e do nosso grupo de estudos, que tem mais ou menos a idade deste seminário – dez anos. A gente estudou Marx, a história do movimento operário, e ontem lançamos um site reunindo esse material. Então, vou passar a palavra pro Vito.

Vito Letizia – Bom, eu estou com um problema visual que torna demorado pra mim encontrar as letras de um texto, eu me perco de lugar num texto com muita facilidade. Mas tô distinguindo o plenário, acho muito simpático, reconheci uma boa parte dele. Então, me propus falar sobre algumas coisas sobre as quais eu tenho escrito, alguns artigos a pedido do Departamento de Economia da PUC, que foram publicados na revista da PUC. Pretendo fazer uma fala curta, levantando principalmente as coisas que os economistas não falam. Então a primeira coisa que os economistas não falam é que a crise, aquilo que chamam agora de uma nova crise, que se concentra na inadimplência de alguns Estados na zona do euro, na realidade é uma continuidade da crise começada em 2007.