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Tag: crise econômica

Relatório da OIT 2018

Nível de crescimento dos salários é o mais baixo desde 2008

Melhora na economia mundial não se reflete nas remunerações

Informe Mundial sobre Salários OIT 2018O crescimento do valor dos salários em nível mundial continua a cair. No Informe Mundial que acaba de lançar, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) constata que a taxa de crescimento dos salários em 2017 foi a mais baixa desde 2008, e está bem abaixo dos níveis anteriores à crise financeira mundial, apesar dos dados que apontam para uma recuperação econômica na maioria das regiões.

Essa taxa caiu de 2,4% em 2016 para 1,8% em 2017. Os países ricos da Europa Ocidental tiveram praticamente zero de crescimento de salários, enquanto os Estados Unidos mantiveram uma taxa de 0,7%, igual à de 2016. A região da América Latina e Caribe teve um saldo ligeiramente positivo e o Brasil, especificamente, houve uma reversão com relação aos dois anos anteriores: a taxa foi de 2,3%, depois de ficar em -1,9% em 2016 e -0,3% em 2015.

Os países chamados de emergentes tiveram resultados melhores do que os países ricos, de forma geral. Sempre é bom lembrar de que se trata de um porcentual de crescimento; em termos de valor, os salários dos países emergentes continuam baixos e, em muitos casos, são insuficientes para cobrir as necessidades básicas das famílias.

Vito Letizia no Seminário das Quartas

Crise do capitalismo: participação de Vito Letizia no Seminário das Quartas, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP)


Apresentador – Vito Letizia é professor aposentado da PUC de São Paulo e está aqui em São Paulo por conta do lançamento do site Cemap-interludium.org.br, onde a gente reuniu os textos do Vito e do nosso grupo de estudos, que tem mais ou menos a idade desse seminário – dez anos. A gente estudou Marx, a história do movimento operário, e ontem lançamos um site reunindo esse material. Então, vou passar a palavra pro Vito.

Vito Letizia – Bom, eu estou com um problema visual que torna demorado pra mim encontrar as letras de um texto, eu me perco de lugar num texto com muita facilidade. Mas tô distinguindo o plenário, acho muito simpático, reconheci uma boa parte dele. Então, me propus falar sobre algumas coisas sobre as quais eu tenho escrito, alguns artigos a pedido do Departamento de Economia da PUC, e que foram publicados na revista da PUC. Pretendo fazer uma fala curta, levantando principalmente as coisas que os economistas não falam. Então a primeira coisa que os economistas não falam é que a crise, aquilo que chamam agora de uma nova crise, que se concentra na inadimplência de alguns Estados na zona do euro, na realidade é uma continuidade da crise começada em 2007. As principais revistas econômicas apresentam isso como uma crise nova. Elas disseram que a crise estava se resolvendo em 2009, e que em 2010 estava resolvida. Mas agora apareceu essa novidade que diz respeito à má gestão econômica da Grécia, ou a um erro de cálculo do ministro das Finanças da Islândia e assim por diante. Mas na realidade, é a continuação da mesma crise. Aliás, eu vou abrir uma exceção, teve um artigo que eu li recentemente, da Professora Rosa Marques, da Economia da PUC, que menciona isso, que é a continuação da crise de 2007, sem dar muita explicação a respeito. Então por que é continuidade da crise de 2007? Porque a crise de 2007 foi resolvida de uma maneira que na verdade adiou o desfecho catastrófico. Impediu que de imediato ocorresse um desfecho catastrófico – como aconteceu, por exemplo, nos anos 30 do século XX; porém resolveu a situação de uma maneira que agravou aqueles problemas que tinham causado a crise.

Enfrentar a grande crise

Ato pelas Diretas Já, em 1984.

Artigo de Vito Letizia

(publicado na revista O Olho da História em julho de 2009)

Segundo Clément Juglar (1819-905), o teórico dos ciclos econômicos, a riqueza das nações pode ser medida pela violência das crises que atravessam. Sendo assim, pode-se dizer que desde agosto 2007 os EUA estão demonstrando que continuam sendo a nação mais rica do mundo. E em setembro do ano seguinte, o mundo percebeu que não será mero espectador dessa demonstração. Também percebeu que a serenidade de Juglar não é comum entre os economistas de hoje, pois o que mais se vê são comentários indignados sobre os riscos assumidos por bancos e grandes empresas do planeta, e sugestões de novas regras de avaliação e controle das atividades financeiras.