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Tag: marxismo

Do objeto útil ao valor

Arte com o rosto de Karl Marx“A riqueza das sociedades em que domina o modo de produção capitalista aparece como uma imensa coleção de mercadorias.”

(Karl Marx, “O Capital”, primeiro parágrafo do primeiro capítulo.)

Artigo de Vito Letizia, escrito em 8 de fevereiro de 2011

1. A Origem das Mercadorias

1.1. Coisas e Mercadorias

Riqueza, em termos gerais, é o conjunto das coisas capazes de satisfazer necessidades. Muito mais do que nos modos de produção precedentes, em que as trocas estavam menos desenvolvidas, a riqueza no modo de produção capitalista é constituída por mercadorias. Pois tudo que é apreciado na sociedade capitalista é comerciável e nela quem nada tem para vender e nada pode comprar não tem acesso à riqueza.

Vito Letizia propõe uma volta a Marx

Nesta entrevista, Vito Letizia propõe um retorno à crítica da economia política de Karl Marx e uma releitura da experiência histórica da esquerda.

“A esquerda deve lutar para que o povo brasileiro tenha acesso a tudo o que lhe foi historicamente negado. Mas, absolutamente tudo lhe foi negado: a terra, o próprio país”, afirma com surpreendente energia e entusiasmo o economista Vito Letizia. Aos 73 anos, o velho guerreiro trava uma batalha duríssima com o câncer, cujos sintomas simplesmente desaparecem quando ele se deixa levar pelo entusiasmo da discussão. Leitor profundo e rigoroso de Karl Marx, Letizia é um crítico implacável dos métodos e concepções sobre classes sociais, partidos revolucionários e direções adotados pela assim chamada esquerda marxista – leninista – trotskista, solo em que germinou, floresceu e ganhou maturidade a sua própria história como militante revolucionário. A demolição do conceito de “vanguarda” é peça central de sua crítica.

Enfrentar a grande crise

Artigo de Vito Letizia, publicado na revista O Olho da História em julho de 2009.
Segundo Clément Juglar (1819-905), o teórico dos ciclos econômicos, a riqueza das nações pode ser medida pela violência das crises que atravessam. Sendo assim, pode-se dizer que desde agosto de 2007 os EUA estão demonstrando que continuam sendo a nação mais rica do mundo. E em setembro do ano seguinte, o mundo percebeu que não será mero espectador dessa demonstração. Também percebeu que a serenidade de Juglar não é comum entre os economistas de hoje, pois o que mais se vê são comentários indignados sobre os riscos assumidos por bancos e grandes empresas do planeta, e sugestões de novas regras de avaliação e controle das atividades financeiras.

Contradições que movem o valor

Uma análise a partir do ‘Capital’ de Karl Marx

Artigo de Vito Letizia, escrito em 9 de agosto de 2005.

Marx demonstrou que as formas de manifestação do valor decorrem das contradições sociais que põem em movimento as mercadorias. Com esse método crítico, ele estudou o valor na sociedade capitalista, com os desdobramentos acarretados pela expansão e diversificação da produção capitalista de mercadorias.
A teoria crítica do valor não deve ser confundida com a teoria do valor-trabalho de Adam Smith. Porque, embora ambas teorias reconheçam o trabalho como fundamento da quantificação do valor, “trabalho” e “valor” não têm o mesmo sentido em Marx e A.Smith. Enquanto este último atribui valor de uso e valor de troca a todas as “coisas” (ou “bens”), Marx distingue as mercadorias, com valor de uso e valor, dos simples objetos úteis, que só têm valor de uso. Valor é o conteúdo social, próprio das mercadorias. Estas surgem ao longo da evolução histórica das sociedades humanas, como resultado da necessidade de trocar produtos de trabalhos diferentes. E as relações de troca necessárias criam a vida social das mercadorias, que é o que lhes dá um conteúdo diferente do conteúdo social dos objetos úteis trocados como presentes e do conteúdo natural dos objetos nunca trocados.

Marx, os marxistas e a relação sindicato-partido-socialismo: seu passado e seu futuro

Rua de São Paulo tomada de trabalhadores com bandeiras vermelhas na greve geral de 1917 (Arquivo Edgard Leuenroth).

Neste artigo, escrito em julho de 2004, Vito Letizia analisa o papel dos sindicatos, partindo da visão de Marx, e faz “um apanhado das principais orientações apresentadas aos trabalhadores ao longo da história de suas lutas”, com o objetivo de recolocar a discussão dentro do contexto atual.
Introdução
Após a queda do muro de Berlim multiplicam-se as teorias que defendem “um novo papel” para os sindicatos: o sindicalismo “moderno” deveria ser mais “construtivo” e propor soluções “viáveis” nas negociações trabalhistas; deveria considerar os patrões sob um ângulo mais “positivo” e aprender a reivindicar pensando também na empresa.

Segundo o “consenso” martelado pela mídia, a história teria provado que é falsa a teoria marxista, que afirma o antagonismo de interesses entre empregados e patrões. Aliás, o marxismo como um todo série um grande equívoco. Prova: a tentativa de aplicá-lo na URSS fracassou. Mas e o capitalismo? Fracassou ou é bem-sucedido? Sobre a tentativa de fazer o capitalismo gerar uma sociedade de bem-estar, o que os “modernizadores” capitalistas têm a dizer? Mesmo supondo que, na URSS tenham tentado honesta e escrupulosamente aplicar o marxismo isso não prova a invalidade ou validade da análise marxista sobre o capitalismo. Pela simples razão de que uma boa análise do capitalismo não precisa ser, ao mesmo tempo, uma receita de socialismo. Além disso, a validade do que Marx diz sobre as relações de trabalho no capitalismo não depende da validade de tudo que ele diz sobre o sistema em geral.