José Castilho Marques Neto *

Em 5 de novembro de 1981 morria no Rio de Janeiro Mário Pedrosa. Deixava uma obra de crítica de arte reconhecida internacionalmente e uma trajetória política sem uma única concessão. Poucas vezes vida e obra formaram uma unidade tão indissolúvel.
Conheci Mário em 1979, quando preparava a edição de Arte, forma e personalidade para a valente Editora Kairós. Fui ao seu apartamento quatro ou cinco vezes. As visitas, que deveriam durar pouco, viravam conversas de cinco, seis horas. Eu tinha 25 anos e ainda não havia saído do Brasil. Mário tinha uma presença no mundo, e não num lugar particular. O que encontrei nele foi independência intelectual radical, insubordinação às ortodoxias e a convicção de que a política se faz formando comunidades de sujeitos. E o dom da escuta: sabia ouvir, refletia sobre o que ouvia e saía sempre com um raciocínio além – maroto, impertinente, nunca esnobe.





