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Para não esquecer

O acervo do Cemap e as lutas populares

Logotipos do boletim do Cemap
Nos primeiros anos, o Cemap publicou um boletim periódico e foi mudando a cara de seu logotipo

Tornarem-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. Os esquecimentos e os silêncios da história são reveladores desses mecanismos de manipulação da memória coletiva

(Jacques Le Goff, História e Memória)

Todo mundo já ouviu falar de amnésia, aquele distúrbio que envolve a perda parcial e total da memória. E perder a memória é uma possibilidade terrível, considerando que a nossa personalidade é fundada em nossas lembranças, naquilo que nos ocorreu da primeira infância até hoje. Ou, como diz a linguagem popular, “desde que me conheço por gente”. Perder a memória é quase sinônimo de perder a identidade; de não ser mais sujeito, e sim objeto.

Se essa possibilidade já é assustadora para um indivíduo, imagine-se para um país, um povo, uma sociedade. “(…) A amnésia”, alerta o historiador Jacques Le Goff, “é não só uma perturbação no indivíduo, que envolve perturbações mais ou menos graves da presença da personalidade, mas também a falta ou a perda, voluntária ou involuntária, da memória coletiva nos povos e nas nações que pode determinar perturbações graves da identidade coletiva”.1 No Brasil, desde o golpe de 2016, essa é uma possibilidade real. Só lembrando: uma das primeiras iniciativas do novo governo foi a retirada da obrigatoriedade da História no currículo de Ensino Médio. E de um dia para outro, começamos a ouvir uma “história alternativa” da ditadura militar – que não era tão ruim assim, afinal.

Este é o momento de valorizarmos os chamados locais de produção de memória, como as bibliotecas, os museus e os arquivos. Foi pensando nessa necessidade que, há 37 anos, foi fundado o Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa, o Cemap. Atualmente, o acervo é gerido pela Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Cemap-Interludium. Através de um convênio celebrado com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), ele está sob a guarda do Centro de Documentação e Memória da universidade, o Cedem.

Acervo do Cedem

Capa da segunda edição do Guia do Acervo do CedemCedem lança segunda edição de seu guia

O Centro de Documentação e Memória da Unesp lançou a segunda edição de seu Guia do Acervo, com a incorporação de fundos e coleções recebidos depois de 2008, quando foi publicada a primeira edição. O Guia é uma publicação de referência para os pesquisadores interessados em conhecer e utilizar o material do centro. Com 166 páginas, ele traz informações sobre os documentos relativos ao Projeto Memória da Universidade, constituído para preservar a história da Unesp, e sobre o material proveniente de movimentos sociais e da esquerda nacional e internacional que integram o acervo. A publicação pode ser baixada em formato PDF no site, ou clicando aqui.

O guia apresenta um resumo dos 30 anos de percurso do Cedem e um perfil do acervo, em que trata das particularidades da documentação, adquirida por doação ou na forma de depósito ou custódia, incluindo observações sobre algumas opções de trabalho adotadas para sua preservação e tratamento técnico. Em seguida,  descreve os arquivos e coleções, agrupados em torno das instituições das quais se originaram.