O professor José Castilho Marques Neto vai lançar no dia 30 seu novo livro, O poder das palavras e outros poderes – Leituras compartilhadas. É uma coletânea de artigos publicados no jornal de literatura “Rascunho” que discutem como as palavras moldam e afetam a democracia, para bem e para mal, e orientam as escolhas individuais e coletivas em um mundo marcado por crises. O lançamento será às 18h30, na Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, e Castilho estará presente para conversar sobre essa questão.
“A consolidação da cidadania, que, em poucas palavras, quer dizer a possibilidade da ação igualitária no exercício do poder no estado democrático, ela acontece também pela palavra, pelo domínio da palavra”, enfatiza. “A pessoa que se forma como leitor adquire os instrumentos para entender os mecanismos de comunicação das classes dominantes. E em todos os sentidos de classe dominante: desde a linguagem da classe dominante econômica e social até a da classe intelectualizada, porque todos esses grupos dominantes usam, de maneira geral com maestria, a palavra como instrumento de poder, como instrumento de dominação. Quem detém hoje a palavra, quem detém hoje os instrumentos de leitura e de escrita em um mundo dominado pela hipercomunicação, tem a possibilidade de exercer a disputa do poder.”

Castilho, que foi um dos fundadores do Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa (Cemap), lá no começo dos anos 1980, tem uma longa história de militância na defesa da democratização do acesso ao livro, à literatura e à biblioteca. Que envolveu andanças por todo o país e pelo exterior, debates intensivos e atuação em vários cargos que lhe permitiram avançar sua visão de que a leitura é um direito fundamental.
“Eu entendo que é fundamental, principalmente quando se trata de políticas públicas, que os esforços se voltem para o incentivo à leitura desde a primeira infância. Mas os planos de leitura e as políticas públicas têm que se voltar para todos e todas seja qual for a idade, a classe social, o gênero, a etnia, a ancestralidade ou a portabilidade de qualquer deficiência física. Todos e todas têm o direito humano inalienável à leitura e à escrita”.
Ele dirigiu a Biblioteca Mário de Andrade de 2002 a 2005 e em seguida tornou-se um dos idealizadores e secretário executivo do Plano Nacional do Livro e da Leitura, ligado aos Ministérios da Cultura e da Educação. O plano serviu de base para a lei 13.696, de 2018, que instituiu a Política Nacional de Leitura e Escrita – chamada de “Lei Castilho”, como reconhecimento à sua atuação. Ele também presidiu a Editora da Unesp por mais de 20 anos, da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (Abeu) e da Asociación de Editoriales Universitarias de América Latina y el Caribe (Eulac).
Os artigos de O poder das palavras e outros poderes – Leituras compartilhadas analisam ações governamentais, discutem aspectos de sua trajetória na defesa do direito à leitura e reúnem dados sobre a história e a situação das bibliotecas públicas do Brasil e da preservação de acervos, um de seus temas mais queridos. A edição é uma parceria Selo Emília/Solisluna Editora.
Não Perca!
Lançamento de
O poder das palavras e outros poderes – Leituras compartilhadas
e conversa com o autor, José Castilho Marques Neto
Dia 30 de março, segunda-feira, às 18h30.
Biblioteca Mário de Andrade, na rua da Consolação, 94 – República, São Paulo.

