Nestes tempos em que a história e a memória estão sob ataque direto até do próprio Estado, entidades e profissionais da área de acervos de São Paulo vão se reunir pela primeira vez para discutir linhas de atuação para preservar e divulgar patrimônios documentais. O 1º Encontro Paulista de Patrimônio Histórico-Documental acontece entre os dias 13 e 15 de maio e é aberto a todos os interessados.
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O acervo do Cemap e as lutas populares
Tornarem-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. Os esquecimentos e os silêncios da história são reveladores desses mecanismos de manipulação da memória coletiva
(Jacques Le Goff, História e Memória)
Todo mundo já ouviu falar de amnésia, aquele distúrbio que envolve a perda parcial e total da memória. E perder a memória é uma possibilidade terrível, considerando que a nossa personalidade é fundada em nossas lembranças, naquilo que nos ocorreu da primeira infância até hoje. Ou, como diz a linguagem popular, “desde que me conheço por gente”. Perder a memória é quase sinônimo de perder a identidade; de não ser mais sujeito, e sim objeto.
Se essa possibilidade já é assustadora para um indivíduo, imagine-se para um país, um povo, uma sociedade.
O Centro de Documentação e Memória (Cedem) da Unesp lançou a segunda edição de seu Guia do Acervo, que incorpora fundos e coleções recebidos depois de 2008, quando foi publicada a primeira edição. O Guia é uma publicação de referência para os pesquisadores interessados em conhecer e utilizar o material do centro.
Com 166 páginas, ele traz informações sobre os documentos do Projeto Memória da Universidade, constituído para preservar a história da Unesp, e sobre o material proveniente de movimentos sociais e da esquerda nacional e internacional que integram o acervo, entre eles o Cemap. A publicação pode ser baixada em formato PDF no site do Cedem, ou clicando aqui.
Sobre o incêndio no Museu Nacional
Cemap-Interludium vem a público com profunda indignação expressar sua tristeza diante do incêndio ocorrido em 2 de setembro no Museu Nacional, o quinto mais importante museu do mundo. Os profissionais que lá trabalharam e continuarão a trabalhar há muito sabiam que esta era uma tragédia anunciada, e denunciavam isto, tamanho o descaso e a falta de investimento que assegurasse seu funcionamento em condições minimamente seguras.
Mas este é o país em que alguns governos fazem questão de explicitar, de maneira inequívoca, a pouca ou nenhuma importância que tem a memória histórica e a cultura do seu povo, porque não têm nenhum compromisso com ele.



