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Vito Letizia no Seminário das Quartas

Crise do capitalismo: participação de Vito Letizia no Seminário das Quartas, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP)


Apresentador – Vito Letizia é professor aposentado da PUC de São Paulo e está aqui em São Paulo por conta do lançamento do site Cemap-interludium.org.br, onde a gente reuniu os textos do Vito e do nosso grupo de estudos, que tem mais ou menos a idade desse seminário – dez anos. A gente estudou Marx, a história do movimento operário, e ontem lançamos um site reunindo esse material. Então, vou passar a palavra pro Vito.

Vito Letizia – Bom, eu estou com um problema visual que torna demorado pra mim encontrar as letras de um texto, eu me perco de lugar num texto com muita facilidade. Mas tô distinguindo o plenário, acho muito simpático, reconheci uma boa parte dele. Então, me propus falar sobre algumas coisas sobre as quais eu tenho escrito, alguns artigos a pedido do Departamento de Economia da PUC, e que foram publicados na revista da PUC. Pretendo fazer uma fala curta, levantando principalmente as coisas que os economistas não falam. Então a primeira coisa que os economistas não falam é que a crise, aquilo que chamam agora de uma nova crise, que se concentra na inadimplência de alguns Estados na zona do euro, na realidade é uma continuidade da crise começada em 2007. As principais revistas econômicas apresentam isso como uma crise nova. Elas disseram que a crise estava se resolvendo em 2009, e que em 2010 estava resolvida. Mas agora apareceu essa novidade que diz respeito à má gestão econômica da Grécia, ou a um erro de cálculo do ministro das Finanças da Islândia e assim por diante. Mas na realidade, é a continuação da mesma crise. Aliás, eu vou abrir uma exceção, teve um artigo que eu li recentemente, da Professora Rosa Marques, da Economia da PUC, que menciona isso, que é a continuação da crise de 2007, sem dar muita explicação a respeito. Então por que é continuidade da crise de 2007? Porque a crise de 2007 foi resolvida de uma maneira que na verdade adiou o desfecho catastrófico. Impediu que de imediato ocorresse um desfecho catastrófico – como aconteceu, por exemplo, nos anos 30 do século XX; porém resolveu a situação de uma maneira que agravou aqueles problemas que tinham causado a crise.