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Reificação e organização política em ‘História e Consciência de Classe’

Danilo Nakamura*

O objetivo deste trabalho não é dissertar sobre o que Lukács “realmente disse” em História e Consciência de Classe. Nossa intenção é simplesmente buscar uma apresentação sintética de algumas ideias do livro com o intuito de levantar perguntas, questionar a validade de algumas afirmações e, principalmente, tentar defrontar algumas verdades contingentes do período em que o livro foi pensado com os dilemas atuais. Destacaremos o problema da organização política.

História e Consciência de Classe

Vito Letizia faz uma análise sobre o livro História e Consciência de Classe, de György Lukács.

A partir de uma excelente exposição do pensamento de Engels sobre a contradição entre os motivos que fazem os homens agir e as forças históricas que fazem tais motivos surgir, Lukács vai além e cria um edifício de arrazoados sobre um assunto que não mereceu atenção, quer de Marx quer de Engels: “a consciência de classe”.

O novo tema adquiriu interesse quando da vitória bolchevique na Rússia e das inevitáveis comparações do partido russo com a social-democracia da Europa Ocidental. A todos os esperançosos no futuro da Revolução de Outubro pareceu que os bolcheviques teriam atingido um “nível de consciência” superior, capaz de iluminar o caminho para o socialismo. Esperança que depois se frustrou. De qualquer modo, o novo debate foi mal enfocado. Marx, provavelmente, teria preferido discutir até que ponto o Partido Bolchevique vitorioso estaria sendo uma expressão consciente do processo histórico, mais do que saber se os bolcheviques teriam atingido uma consciência de classe maior ou menor do que a dos militantes dos demais partidos operários.