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As implicações da terceirização

Cemap-Interludium vai promover no dia 6 de agosto um debate sobre o projeto de lei 4330, que regulamenta o trabalho terceirizado no Brasil, e suas implicações para os trabalhadores. Para fazer essa discussão, convidamos Ricardo Antunes, professor de Sociologia do Trabalho da Unicamp, e Júlio Turra, dirigente da Executiva da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O make up do trabalho

Uma empresa e um milhão de revendedoras de cosméticos

Ludmila Costhek Abilio*

Esta dissertação analisa o trabalho das revendedoras de cosméticos de uma empresa brasileira, e discute a ausência de formas-trabalho dessa ocupação. A Natura é atualmente uma das mais reconhecidas e bem-sucedidas empresas brasileiras de cosméticos e produtos de higiene pessoal. A marca tem uma notável visibilidade social; já o mesmo não acontece com as mulheres que realizam no Brasil a distribuição dos produtos em sua totalidade. Denominadas “consultoras”, as vendedoras (a grande maioria é feminina) desempenham uma atividade que para elas se realiza desprovida de regulações públicas e, mais do que isso, que pode nem mesmo ter a forma-trabalho reconhecida.

A relação da empresa com os vendedores baseia-se na ausência de vínculos empregatícios: são juridicamente reconhecidos como “vendedores ambulantes”. A opção de registrar-se como trabalhador autônomo é de responsabilidade do vendedor – em todas as entrevistas realizadas, as vendedoras permaneceram na informalidade. Essa relação de trabalho tornou-se meu ponto de partida para problematizar a informalidade e a exploração do trabalho em suas formas contemporâneas. A centralidade do trabalho para a acumulação capitalista na atualidade estrutura toda a análise.