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Pragmatismo econômico, miopia política

Há cerca de dois anos as principais lideranças políticas europeias se comprometiam com uma estratégia econômica, para enfrentar os impactos da crise “americana”, baseadas na ideia de que a austeridade fiscal e a depreciação interna de salários resolveriam os problemas dos Estados nacionais endividados.

Tal formulação – defendida por Merkel, secundada por Sarkozy – se fundamenta na convicção de que a crise ganhou terreno e profundidade em função da atuação irresponsável dos governos do sul da Europa, pela recusa obstinada destes em aceitar sua existência (Zapatero e Berlusconi) combinada com a aceleração do processo de comprometimento de parte dos orçamentos nacionais em iniciativas de redução dos impactos sociais da crise (seguro-desemprego; ampliação das ações da rede de proteção social para com os segmentos mais fragilizados; subsídios à atividade industrial e de serviços).

Ao Vito Antonio Letizia

Vito Letizia (19/12/1937-8/7/2012) procurou incessantemente, ao longo da sua vida, a compreensão das contradições que movem a história da humanidade com o intuito de contribuir com o movimento anticapitalista e assim poder pensar em uma sociedade justa e solidária. Sempre foi um grande observador e um excelente ouvinte, que não queria ditar regras, mas sim aprender a se movimentar com os anseios e necessidades dos trabalhadores.

Vito iniciou a sua militância no PCB em 1961, depois militou no Partido Operário Revolucionário (J.Posadas), a partir de 1968 na Fração Bolchevique Trotskista do POR, e em 1976 participou da fundação da Organização Socialista Internacionalista (OSI). Abandonou a militância organizada posteriormente, só retomando recentemente e por um curto período a atividade militante no PSOL.

Eu sei o que deve ser feito com o presente

Conheci Vito Letizia no segundo semestre letivo de 2001 de minha graduação em Economia na PUC-SP, mas não numa sala de aula e sim voltando para casa. Vito e eu pegávamos o mesmo ônibus e numa das viagens conversava com minha irmã sobre a última aula, quando um senhor corrigiu alguma coisa que falava sobre o economista Alfred Marshall. Foi apenas a primeira de uma série…

Meu segundo contato com o Vito foi nesse mesmo ônibus. Gabriel havia me proposto formar um grupo de estudos sobre o pensamento de Marx e sabia que o Vito era um grande conhecedor. Fizemos então durante a viagem a proposta, imediatamente aceita pelo Vito.

Perdemos Vito Letizia

Temos a tristeza de informar que Vito Letizia morreu esta madrugada, em Porto Alegre. Companheiro, militante de toda a vida, professor e mentor, fundador do grupo Interludium, Vito tinha 74 anos e lutava havia mais de dois anos contra um câncer no pâncreas. Não temos palavras para expressar nossa perda.

O exemplo grego – a voracidade do capital ataca os Estados

Não é mistério para ninguém que, embora as empresas reclamem da alta carga tributária, todo e qualquer imposto tem origem no cidadão. Os tributos pagos pelas empresas estão embutidos no preço dos produtos e serviços. só sendo devidos quando efetivado o consumo. Há uma classificação básica que pode dar conta de grande parte dos tributos existentes no Brasil: os gerados pela produção/circulação de produtos, os decorrentes da prestação de serviços, os impostos sobre a renda e as contribuições sociais. Em todos os casos, o imposto pode ser considerado como uma parte da mais-valia que não fica na mão do empresário.

Colocando um pouco de luz à chamada ‘Cracolândia’ e as pessoas que lá ‘(sobre)vivem’

A “Cracolândia” fica na região central da maior e mais importante capital do país. Ali, uma população flutuante de cerca de 2.000 pessoas adota diversas estratégias para manter seu vício (consumo de crack) e as mínimas condições de sobrevivência.1“Cracolândia” é uma palavra que utilizei sempre entre aspas porque se trata de denominação atribuída pelo “Projeto de Revitalização do Centro”, composto de banqueiros, empresários, comerciantes e empreiteiras, com o claro objetivo de valorizar seus imóveis e incrementar seus negócios.

A escolha do local tem várias explicações: 1) naquelas imediações funcionava, dos anos 1960 aos 1980, a antiga rodoviária, onde desembarcavam pessoas vindas de todas as regiões do país; nas proximidades de rodoviárias sempre existe uma oferta maior de drogas; 2) uma grande rede de transporte público liga a área a todas as regiões da cidade; 3) como importante polo econômico/financeiro e comercial, atrai todos os dias uma infinidade de pessoas em vários horários; 4) há uma enorme infraestrutura de serviços na região, que inclui praças, igrejas e templos de várias religiões; postos de saúde, hotéis, albergues e abrigos; hospitais públicos, ONGs, inúmeras instituições e entidades benemerentes (fundamentais para manter vivo um bom número de usuários do crack).

Denis Collin e a questão da liberdade

“A aspiração natural é de sermos nós mesmos nosso próprio mestre”

Filósofo iconoclasta, Denis Collin identifica as falsas liberdades da sociedade contemporânea. Ao analisar as origens profundas da “obsessão pela segurança”, da manipulação de Sarkozy em torno do “valor do trabalho” ou certos desvios do progresso científico, ele repensa a liberdade como uma não-dominação, em termos de um “comunismo republicano”. Confira sua entrevista a Laurent Etre, publicada pelo jornal L’Humanité em 22 de abril de 2011 e pelo site La Sociale, três dias depois.