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Foto da Fundação Zequinha Barreto: Operação Pajussara, Tribuna da Bahia.

Conhecido também pelo apelido de Zequinha, José Campos Barreto, baiano nascido em Brotas de Macaúbas, município do estado da Bahia, foi assassinado brutalmente por agentes da ditadura, na tarde de 17 de setembro de 1971, na cidade onde nasceu e morou boa parte de sua vida.

Zequinha era o mais velho dos 7 filhos de seus pais. A família mantinha um padrão de vida simples. Possuíam uma loja de tecidos ao lado de sua casa, trabalhavam no campo, criavam gado e, seus outros irmãos ajudavam nas despesas de casa como podiam.
Zeca passou por diversas fases em sua vida. No começo dos anos 1950, foi enviado para Pernambuco, pelos pais, no intuito de se tornar padre. Por seu grande êxito escolar, alcançando as melhoras notas de sua turma, foi transferido para Campina Grande (PB).

Entretanto, ao retornar para sua cidade em 1964, decidiu que não queria ser padre, ou seguir alguma formação de cunho acadêmico. Então, no mesmo ano, Zequinha partiu para Osasco (SP), em busca de emprego, cumprindo o serviço militar obrigatório no Forte de Quitaúna, quartel por onde havia passado Carlos Lamarca.

Ao término de seu serviço obrigatório, Zequinha foi dispensado. Passou a trabalhar como operário.
As discussões nas fábricas eram repletas de apelos políticos, reflexões sobre os trabalhadores e sobre o Brasil. Em julho de 1968, Zequinha foi um dos líderes na greve que parou a fábrica onde trabalhava, a Cobrasma, quando a fábrica foi cercada por forças policiais. Foi preso juntamente com mais de 400 trabalhadores e passou 98 dias nos cárceres do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS/SP). Libertado por meio de habeas corpus, passou a viver na clandestinidade, militando na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

No início de 1970, já militante no Movimento Revolucionário 08 de Outubro (MR-8) retornou ao sertão da Bahia, para implantar um movimento de guerrilha rural, que contaria com a participação de Lamarca. Zequinha ficou responsável por montar a estrutura da segurança do líder guerrilheiro. A casa da família dos Campos Barreto tornou-se importante ponto de referência dos deslocamentos de Zequinha e de Lamarca na região.

Operação Pajussara

A operação, de cunho militar, tinha como principal objetivo eliminar Carlos Lamarca e todo o grupo que atuava na região de Brotas, incluindo sua companheira Iara Iavelberg, estudante de psicologia da USP, militante da VPR e da Polop (Organização Revolucionária Marxista – Político Operário) e Zequinha.

De acordo com a Comissão Nacional da Verdade, aproximadamente 215 soldados estavam na caça de Zequinha e Lamarca. Desta forma, em 28 de 1971, a Operação Pajussara sob comando do DOI-CODI, invadiu o povoado, na região de Brotas, Macaúbas, em que Zequinha, Lamarca e seus camaradas estavam. Foram assassinados dois irmãos de Zequinha, e seu pai foi preso e torturado.

Ao ouvir os tiros vindos da casa, Zequinha e Lamarca fugiram mata adentro. Caminharam por dias e noite a fio. De acordo com o relatório da anistia protocolado pela Comissão da Verdade: “foi fácil e rápido exterminá-los: Zequinha despertou com o barulho da aproximação dos agentes e acordou Lamarca. Tentou correr, mas foi metralhado por um soldado, gritando, antes de cair morto: Abaixo a ditadura! Os agentes estabeleceram um pequeno diálogo com Lamarca, já ferido, e logo também o executaram com rajadas.”

Zequinha, brutalmente assassinado pelo regime militar, em 2 de outubro de 1971. Dando fim a uma das grandes lideranças a luta armada no Brasil. Momento de graves violações de direitos, liberdade e igualdade. Zequinha, como todos os outros, deram suas vidas para entrarem na história, da resistência e da luta contra as ditaduras.

Pesquisa e redação de Thiago S Annunziato.

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