Menu fechado

Julio Castro Pérez (1908-1977)

Coleção Exílio, 1978/CEMAP, Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa

Julio Castro Pérez, educador e jornalista uruguaio, foi preso no dia 1 de agosto de 1977 no âmbito da Operação Condor, com auxílio do exército e da Secretaria de Inteligência do Uruguai. Julio foi visto pela última vez em uma via pública na cidade de Montevidéu por volta das 10h. Levado para o Centro de Detenção Clandestina (La Casona), local em que fora submetido a diversas formas de tortura. Após dias encarcerado, morreu em 3 de agosto do mesmo ano.

Seu corpo foi encontrado somente em outubro de 2011, em uma cova clandestina na cidade de Toledo, no Uruguai. De acordo com a Secretaria de Direitos Humanos do Estado, seu desaparecimento fora um dos mais emblemáticos, pois foi o primeiro desaparecimento forçado, que em termos da legislação criminal, remete a privação da liberdade de um indivíduo por agentes do Estado ou grupos que agem em consonância desta privação. Por se tratar de um crime tido como “permanente”, o ato continua sendo praticado até que o paradeiro deste seja descoberto.

Vida e breve trajetória
Filho de um agricultor no extremo sul da Flórida (EUA), Julio foi educado na N° 9 Escola Rural do Estado. Por seu ótimo desempenho escolar, o jovem, na época, ganhou uma bolsa para estudar no Instituto Normal de Varones, em Montevidéu, onde deu início a sua carreira.
Em 1928, fundou junto a Carlos Quijano, jornalista e político uruguaio, a “Agrupación Nacionalista Demócrata Social”, a qual pertencia ao Partido Nacional Independiente do Uruguai. Participou de levantes armados e criou em 1933 o semanário “Accíon”, fazendo oposição à ditadura de José Luis Gabriel Terra. Em junho de 1939, criou o Semanário Marcha, dirigindo a redação e a diretoria. Permaneceu no cargo até novembro de 1974, momento de endurecimento do regime militar de Juan María Bordaberry.