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Manoel Fiel Filho (1927-1976)

Manoel Fiel Filho, 1968. Centro de Memória Sindical (CMS).

Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Manoel foi morto no dia 17 de janeiro de 1976 por agentes do DOI-CODI do II Exército de São Paulo. Detido no dia anterior em sua fábrica devido ao envolvimento com o PCB e por sua atuação no jornal “Voz Operária”, principal veículo de difusão das ideias de seu partido.

O laudo emitido em julho de 2011 pela CNV (Comissão Nacional da Verdade), consta que Manoel fora encontrado às 13h no dia de sua morte, enforcado com suas próprias vestimentas em uma cela no DOI-CODI. A perícia médica e criminalística fora realizada por agentes do mesmo departamento: o delegado Orlando Domingues e José Antônio de Melo, médico pleiteado pelo delegado para realização da perícia. Ao final concluíram se tratar de um suicídio.

Trata-se da mesma instituição (o DOI-CODI do II Exército) responsável pelo assassinato, alguns meses antes, em circunstâncias similares e com explicação oficial idêntica, do também militante comunista, o jornalista Vladimir Herzog.

Posteriormente, manifestações em repúdio à morte de Manoel levaram ao afastamento do delegado na qual estava sob comando do caso e, a demissão do chefe do Centro de Informações do Exército (CIE), pelo presidente militar, Ernesto Geisel (1974-1979). Em setembro de 2014, a CNV protocolou outro laudo acerca da morte de Manoel, desmentindo a falsa versão de enforcamento. A nova perícia destacava que o alegado suicido era impossível tendo em vista a posição em que o corpo fora encontrado e a inviabilidade da feitura do nó em seu pescoço.

Vida e trajetória

Manoel Fiel Filho nasceu em 7 de Outubro de 1927, em Quebrangulo (AL). Na década de 50 mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como padeiro, cobrador de ônibus e como operário metalúrgico na empresa Metal Arte em São Paulo (SP). Começou sua militância no PCB em 1953, tendo como principal função a difusão do jornal “Voz Operária” e a organização do partido entre os operários na região fabril da Mooca, em São Paulo.

Detido por agentes da ditadura na fábrica onde trabalhava e em seguida encaminhado ao DOI-CODI, Manoel foi assassinado aos 49 anos.

Pesquisa e redação de Thiago Silveira.

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