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Crise da dívida na Grécia e o referendo

Neste dia 5 de julho os gregos vão às urnas. Interludium se soma a todas as forças políticas e sociais, dentro e fora da Grécia, que identificam no voto de “não” a necessária e contundente defesa da democracia e dos direitos humanos, em oposição aos interesses subalternos do grande capital, do mundo das finanças e de suas marionetes políticas. Não à política de resgates iniciada em 2010 que, como indicado pelo Comitê da Verdade Sobre a Dívida do Parlamento Grego, é apenas a “cobertura” legal para transferir ativos tóxicos para comporem a dívida pública do pais, sem a chegada de dinheiro efetivo, com a degradação das condições de vida da maioria da população, miséria e destruição do patrimônio público. Não ao ataque das hordas capitalistas ao berço da democracia. Contra o barbarismo, a selvageria e os abusos do grande capital todos somos gregos e dizemos não!

A nossa aposentadoria e a deles

Os jornais sempre divulgam com grande alarde o crescimento porcentual do já famoso déficit da previdência social, que no ano de 2011 foi de R$ 36 bilhões e no ano de 2012, pasmem, deve chegar a R$ 38 bilhões. Ou seja, entre o que é arrecadado e o que é pago falta esse valor.

Um escândalo!!!

Ao mesmo tempo, nesta semana o Estadão publica, em editorial intitulado Adeus à meta fiscal de 2012 (edição de 07/11/12), que “o governo desistiu , como se previa, de alcançar o superávit primário de R$ 139,8 bilhões estimados para o setor público em 2012 (…) O superávit primário é a economia destinada ao pagamento de juros e, quando possível, à amortização da dívida pública. É um componente essencial do tripé adotado a partir do fim dos anos 90 como base da política econômica”.

O que salta aos olhos é em primeiro lugar a diferença de apenas uns R$ 100 bilhões entre o que o governo vai gastar com a aposentadoria de milhões e o que o governo pagará para sustentar as aplicações financeiras de uma minoria parasitária que sempre usufruiu da e enriqueceu com a ciranda financeira brasileira. Ressalte-se que no caso dos juros da dívida nada é arrecadado, só há desembolso.

Mas isso não escandaliza!!!

As dívidas ilegítimas

François Chesnais (*)

Na primavera de 2010, os grandes bancos europeus, em primeiro lugar os bancos alemães e franceses, convenceram a União Europeia e o Banco Central Europeu de que o risco de falta de pagamento da dívida pública da Grécia colocava em perigo o seu orçamento global. Eles pediram para serem postos ao abrigo das consequências da gestão das referidas instituições. Os grandes bancos europeus foram fortemente ajudados no outono de 2008, no momento em que a falência do banco Lehman Brothers em Nova York conduziu a crise financeira ao paroxismo. Após o seu salvamento, eles não depuraram todos os ativos tóxicos das suas contas. E continuaram, ainda, a fazer colocações financeiras de alto risco.

Para certos bancos, a mínima falta de pagamento significaria a falência. Em maio de 2010, um plano de salvamento foi montado, com uma vertente financeira e uma vertente de austeridade orçamentária drástica e de privatização acelerada: fortes baixas nas despesas sociais, diminuição dos salários dos funcionários públicos e redução do seu número; novos ataques ao sistema de pensões, sejam elas por repartição ou por capitalização.