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Destruindo para manter a ordem

Danilo Nakamura*

Para analisarmos a greve de 2009, talvez seja necessário fugirmos das habituais avaliações – vitória ou derrota –, uma vez que não podemos dizer que saímos vencedores já que todos os problemas que nos levaram à greve ainda estão colocados (demissão de funcionário, ensino à distância, criminalização das mobilizações, estrutura de poder antidemocrática). Mas também não podemos dizer que saímos derrotados porque a greve, apesar dos seus limites, levou a público o debate sobre a crise da universidade pública no Brasil. Crise que não vem de hoje e – para ficarmos numa memória mais recente – tem íntima ligação com a greve de 2002 na FFLCH e com a ocupação da reitoria em 2007.

Conquistas sociais x neoliberalismo

O povo francês trava a primeira grande batalha

Vito Letizia*

Desde 1968, não se via uma greve tão forte como a que sacudiu a França durante todo o mês de dezembro de 1995. Mais de um milhão de pessoas na rua em Paris; adesão enorme de não-grevistas, misturando todos os atingidos pela política do governo; expansão rápida do movimento, criando um fato político novo, que atingiu todo o país.

Não foi a primeira grande mobilização contra as políticas neoliberais dos governos europeus. Já ocorrera uma na Alemanha, em 1992 (servidores públicos); e depois, na França, em 1993 (Air Inter). Porém, foram lutas basicamente sindicais. Em dezembro último, ocorreu algo novo: uma manifestação maciça, claramente opondo o povo ao governo e rejeitando um plano econômico.