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Mais uma arbitrariedade judicial: Paulo Galo preso

Paulo Galo, do coletivo Revolução Periférica, foi preso hoje, quando se apresentou voluntariamente ao 11º Distrito Policial para depor sobre o incêndio da estátua de Borba Gato na zona sul de São Paulo. A surpresa com a detenção, incomum em casos em que não há vítimas, não ficou por aí. A juíza também determinou a prisão de sua companheira, Géssica Barbosa, que nem mesmo estava no ato de protesto. Mais uma vez, o judiciário toma uma atitude arbitrária porque os acusados são trabalhadores, militantes e da periferia. Isso tem que parar. Paulo e Géssica devem ser soltos e responder ao processo em liberdade!

A desocupação do Pinheirinho

Derrubaram o Pinheirinho, dirigido por Fabiano Amorim, é um documentário que conta a história dos quase 6.000 moradores da ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos. Em pouco mais de 85 minutos, o filme narra a trajetória da comunidade que em 2004 ocupou um terreno abandonado há mais de 20 anos, construiu nele suas casas e lutou para regularizá-lo e continuar nele, até ser brutalmente despejada por forças policiais, há um ano.

O inimigo ainda é o mesmo

Notas sobre a articulação entre o capital financeiro e a violência nas favelas cariocas

“Entenda-se que as loucuras da cidade fazem parte da razão de Estado.”

Jules Ferry. “Comptes Fantastiques d’ Haussmann”, 1868

Danilo Chaves Nakamura*

Rio de Janeiro, domingo, dia 21 de novembro de 2010, seis homens, ocupando dois veículos e armados com fuzis, rendem motoristas e incendeiam dois carros na Linha Vermelha, no acesso a Duque de Caxias, sentido rodovia Presidente Dutra. Na segunda-feira, criminosos disparam contra outra cabine da PM na avenida Dom Hélder Câmara, em Del Castilho (zona norte). Na terça-feira, um “bonde” interdita a avenida Martin Luther King Jr. e promove arrastão. Ao longo da tarde a polícia promove operações simultâneas em 18 favelas do Rio de Janeiro. No total, dois mortos, oito presos e dois menores detidos. Além disso, foram apreendidos um fuzil; duas pistolas; uma espingarda; um revólver; 50 kg de maconha; 2.287 sacolés de cocaína; um veículo recuperado; 80 motos; quatro litros de gasolina e uma garrafa de coquetel molotov. No mesmo dia, José Mariano Beltrame, secretário estadual de Segurança Pública, pede a transferência de presos que estão no comando de facções criminosas para presídios federais. Ele afirma que os ataques poderiam estar sendo orquestrados de presídios no Rio e de penitenciárias federais em outros Estados.

Os ataques prosseguiram. Até o dia 2 de dezembro, mais de 100 veículos foram incendiados e inúmeros arrastões foram registrados em diversas avenidas da capital. A situação começou a se “normalizar” quando o governo do Estado, com apoio do governo federal, iniciou suas operações no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro. Mais de mil militares foram envolvidos, 13 tanques da Marinha serviram para derrubar as barricadas, 800 homens da infantaria de paraquedistas ajudaram a cercar os morros e os caveirões do BOPE subiram o morro atrás de traficantes, armas, drogas e dinheiro.1Desde início dos ataques foram 272 presos e 51 mortos, Último Segundo, 23/11/2010.