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Tag: Revolução Francesa

Diálogos com Vito Letizia 2

Capa do livro As origens das aspirações modernas de liberdade e igualdade‘As Origens das Aspirações Modernas de Liberdade e Igualdade’ chega às livrarias

Este segundo volume da série Diálogos com Vito Letizia reúne as discussões sobre a Revolução Francesa e a social-democracia europeia. Os teóricos marxistas formados no contexto da Revolução Russa negligenciaram a conexão entre a Revolução Francesa e a formação das reivindicações da classe trabalhadora durante o período de surgimento da social-democracia europeia, na segunda metade do século 19. A ponto de que hoje esses dois momentos parecem estar completamente dissociados.

E, no entanto, em julho de 1789, foi o povo insurgente de Paris que tomou a Bastilha, e exatos cem anos depois, na mesma cidade, num congresso socialista convocado para celebrar o centenário da queda da Bastilha, Friedrich Engels propôs a fundação de uma nova internacional, a 2ª Internacional. Ação muito clara e determinada de reconhecimento à luta travada por milhões de mulheres e homens em defesa de suas aspirações de liberdade e igualdade. A afirmação de que se reconhecer nessas lutas do passado significa reivindicá-las como próprias, significa reivindicar para a luta socialista as jornadas revolucionárias da Revolução Francesa.

A Revolução Francesa de 1789

Cerco ao Palácio das Tulherias, em 10 de agosto de 1792.
Cerco ao Palácio das Tulherias, em 10 de agosto de 1792. Estampa de J. Chéreau.

Uma análise e cronologia

Artigo de Vito Letizia, escrito em 31 de março de 2008
A crise final da monarquia absolutista francesa nos últimos decênios do século 18 foi o estouro de contradições acumuladas ao longo de mais de 150 anos, decorrentes de suas próprias medidas contra a crise que atravessara na primeira metade do século anterior, na mesma época da Revolução Inglesa.
Luís XI (1461-1483) dera início à construção do Estado nacional francês, ao promover a burguesia das cidades comerciais e associá-la à administração do reino. Fizera-o para submeter os grandes feudatários, acostumados à rebeldia durante a Guerra dos Cem Anos, recém-terminada (1453). Mas, ao associar-se à burguesia mercantil, lançara as bases do Estado nacional, pois a nação é uma criação da burguesia. Em sua luta contra o particularismo feudal, Luís XI confirmara e ampliara as milícias burguesas das cidades – as quais colocaram à sua disposição uma poderosa infantaria (já dispondo de artilharia) –, que o tornaram menos dependente do serviço de hoste da nobreza. Ao mesmo tempo, os ministros burgueses de que se rodeara deram início a uma nova forma de administração do Estado, mais favorável aos interesses mercantis.

O termidor da Revolução Russa

A noite de 9 para 10 termidor, ano II (Prisão de Robespierre), gravura de Jean-Joseph-François Tassaert, circa 1796.

Vito Letizia, 22 de agosto de 2008
Toda revolução, no sentido próprio do termo (adquirido a partir da Revolução Francesa), é uma crise de dominação de uma classe social. O conjunto de acontecimentos que constituem tal crise põe em movimento um processo de derrubada de uma classe social dominante. Evidentemente, tal tendência pode não se realizar e a dominação em vigor pode sobreviver à crise; ou pode se realizar a meias, dando origem a uma dominação renovada, em que parte das classes sociais antes subalternas passa a partilhar o poder com parte da classe previamente dominante (como ocorreu na Revolução Inglesa). Mas no caso em que a revolução se desenvolve até suas últimas consequências há uma mudança qualitativa nas relações de dominação, trazida pelo exercício do poder por uma nova classe social.