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Para não esquecer

O acervo do Cemap e as lutas populares

Logotipos do boletim do Cemap

Tornarem-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. Os esquecimentos e os silêncios da história são reveladores desses mecanismos de manipulação da memória coletiva
(Jacques Le Goff, História e Memória)

Todo mundo já ouviu falar de amnésia, aquele distúrbio que envolve a perda parcial e total da memória. E perder a memória é uma possibilidade terrível, considerando que a nossa personalidade é fundada em nossas lembranças, naquilo que nos ocorreu da primeira infância até hoje. Ou, como diz a linguagem popular, “desde que me conheço por gente”. Perder a memória é quase sinônimo de perder a identidade; de não ser mais sujeito, e sim objeto.

Se essa possibilidade já é assustadora para um indivíduo, imagine-se para um país, um povo, uma sociedade.

Ditadura

39 anos do assassinato de Santo Dias da Silva

Santo Dias da Silva

Do Cedem

É sempre bom lembrar. Há 39 anos, no dia 30 de outubro de 1979, o metalúrgico Santo Dias da Silva foi morto pela polícia militar de São Paulo quando lutava por melhores condições salariais. A inflação acumulada naquele ano, segundo o Almanaque Folha, da Folha Online, foi de 77,21%, mas o governo militar a prefixou em 45%. Ainda assim, a inflação terminou o ano ultrapassando os 50%. O custo de vida era alto, o que resultou no Movimento Contra a Carestia, liderado por mulheres simples da periferia da Zona Sul de São Paulo.

Setembro e outubro era época de campanha salarial. Os operários da Silvânia apresentaram pauta pedindo melhores salários e segurança no trabalho. Sem respostas, decidiram pela greve. Santo Dias era um líder e organizava os trabalhadores. Houve piquete. Em depoimento ao Comitê Santo Dias da Silva, a viúva Ana Dias contou que os policiais cercavam os operários que faziam piquete. Às 14 horas daquele 30 de outubro Santo foi assassinado pelo PM Herculano Leonel.

Cedem atualiza guia de acervo

O Centro de Documentação e Memória (Cedem) da Unesp lançou a segunda edição de seu Guia do Acervo, que incorpora fundos e coleções recebidos depois de 2008, quando foi publicada a primeira edição. O Guia é uma publicação de referência para os pesquisadores interessados em conhecer e utilizar o material do centro.

Com 166 páginas, ele traz informações sobre os documentos do Projeto Memória da Universidade, constituído para preservar a história da Unesp, e sobre o material proveniente de movimentos sociais e da esquerda nacional e internacional que integram o acervo, entre eles o Cemap. A publicação pode ser baixada em formato PDF no site do Cedem, ou clicando aqui.

Debate: Diálogos com Vito Letizia 3

Lançamento de 2017: Uma revolução confiscada
Lançamento de 2017: Uma revolução confiscada
Lançamento de 2017: Uma revolução confiscada

Os vídeos do lançamento de ‘1917: Uma revolução confiscada’

1917: Uma revolução confiscada, que encerra a série Diálogos com Vito Letizia, foi lançado em 25 de outubro de 2017, com um debate no Centro de Documentação e Memória (Cedem) da Unesp, no centro de São Paulo. A historiógrafa do Cedem Solange Souza e a presidente do Cemap-Interludium, Lucia Pinheiro, fizeram a apresentação do debate, que teve como expositores a professora doutora Isabel Loureiro, colaboradora da Fundação Rosa Luxemburgo e membro do conselho científico da Sociedade Internacional Rosa Luxemburgo, e o professor doutor José Arbex, professor do Departamento de Jornalismo da PUC-SP e integrante do Cemap-Interludium. Confira os vídeos do debate.

Diálogos com Vito Letizia 3

Cemap-Interludium lança “1917: Uma revolução confiscada”

Capa do livro 1917: uma revolução confiscada

No livro 1917: Uma revolução confiscada, Vito Letizia apresenta uma nova narrativa para a Revolução Russa. Vito, materialista rigoroso, analisa e descreve o desenvolvimento dos acontecimentos como resultado das contradições materiais existentes e da tentativa de superá-las. Ao mesmo tempo, ele resgata e coloca no contexto dessas contradições os aspectos culturais, históricos e religiosos da história russa, aos quais dá grande importância. O livro será lançado em 25 de outubro, com um debate às 18h30 no Centro de Documentação e Memória (Cedem) da Unesp.

Revolução Russa – um balanço necessário

Um dos episódios mais marcantes do século 20, a Revolução Russa foi tema de um debate promovido por Cedem e Cemap-Interludium no último dia 29.

Para o economista Vito Letizia “seria um grave erro condenar a Revolução de Outubro juntamente com o sistema que pretendeu representar a sua continuidade. Mais grave ainda, porém, é insistir em apresentar o ‘socialismo real’ como uma alternativa válida para o capitalismo”.

Considerando esse balanço absolutamente necessário para todos que se colocam numa posição anticapitalista, Vito insiste: “Tal orientação carrega consigo a responsabilidade de clarificar o processo que levou ao surgimento desse sistema a partir da Revolução de 1917. Trata-se de uma responsabilidade que os defensores do marxismo não podem evitar.”

Abertura democrática e razão neoliberal

O Centro de Documentação e Memória (Cedem) da Unesp e Cemap-Interludium promoveram no dia 9 o debate “Abertura democrática e a razão neoliberal”, na sede do Cedem. Do ponto de vista econômico, o termo neoliberalismo não apresenta uma relação direta com o liberalismo do passado. Segundo Vito Letizia, por mais que os ideólogos do neoliberalismo falem em “mercado puro”, eles, na verdade, defendem uma simbiose entre o Estado e o mercado, em que o Estado sustenta por meio de dívidas ilegítimas a transferência de dinheiro público para as finanças.

Para estudiosos como Pierre Dardot e Christian Laval, o neoliberalismo é muito mais que um programa de privatização das empresas públicas e de flexibilização dos direitos trabalhistas. Ele é isto, mas é também uma racionalidade política que combina intervenção pública e uma concepção de mercado centrada na concorrência. Isso seria o motor das políticas neoliberais que transformam as instituições públicas e privadas, o papel do Estado e a vida dos indivíduos em “empresas”. Tendo o neoliberalismo como essa a lógica que rege o mundo, como pensar os governos de esquerda e de direita, uma vez que foram eles mesmos que criaram as regras do equilíbrio orçamentário, da estabilidade monetária, da política anti-inflacionária e os programas de equilíbrio das relações sociais?