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Fúlvio Abramo – A trajetória de um militante antifascista

1934, 7 de outubro. A insuportável tensão na praça transparecia cristalina na ansiedade das milhares de pessoas ali concentradas. Todos sabiam que aquele domingo paradoxalmente acolhedor presenciaria uma tragédia, antes mesmo do ameno sol da tarde desaparecer no horizonte. Os minutos passavam muito lentos naquela praça.

Um jovem trabalhador de feições enérgicas destacou-se da multidão e iniciou um discurso. Num tom grave, apontou uma outra concentração, situada dezenas de metros adiante e afirmou: “Companheiras, companheiros trabalhadores, camaradas! Estamos aqui para impedir que eles tomem esta praça. Porque se hoje os fascistas tomarem esta praça, amanhã tomarão o Estado…”

Foi então que a fuzilaria começou. Os integralistas, que compunham o grupo mais adiante, começaram a atirar sobre a concentração democrática e antifascista. Pessoas tombaram mortas ou feridas. Houve correria, gritos e sangue por todo o lado. A tragédia havia começado.

Luta pela revogação da Lei da Anistia em tempos de democracia?

O título contém uma contradição explícita, pois um dos pressupostos básicos do regime democrático é ter se estabelecido com base na supressão de todas as estruturas, políticas e jurídicas, que davam “sustentabilidade” ao regime ditatorial. Contudo a contradição se encontra não no título, mas no conteúdo político das transformações que se desenvolveram no período chamado de transição da ditadura para o regime democrático atual.

O tema da luta pela anistia nos anos 1970 é emblemático da distância que há entre a vontade expressa pelos movimentos sociais – anistia ampla, geral e irrestrita – e o arremedo jurídico montado pelo antigo regime, que se denominaria de anistia parcial e recíproca, consubstanciado no decreto nº 6683, de 28 de agosto de 1979.

Por um verdadeiro estado de emergência

Cartaz do minicurso Por um verdadeiro estado de emergência

O coletivo Interludium, reflexões anticapitalistas tem o prazer de divulgar neste site as cinco aulas do minicurso sobre o pensamento do filósofo alemão Walter Benjamin, organizado pelo grupo Desvios entre abril e maio de 2010. O curso “Por um verdadeiro estado de emergência” contou com especialistas e professores que estudam e simpatizam com pensamento de Benjamin, como Isabel Loureiro, Gilberto Bercovici, Caestarlos E. J. Machado, Jeanne Marie Gagnebin, Maurício Cardoso, José Sergio Fonseca, Jorge Grespan e Paulo E. Arantes, e teve um imenso público.

Palestra lança ‘A Grande Crise Rastejante’ em Porto Alegre

O livro A Grande Crise Rastejante, de Vito Letizia, foi lançado em Porto Alegre em 12 de dezembro, com uma palestra promovida por Interludium – reflexões anticapitalistas. O jornalista e professor da PUC-SP José Arbex Jr., integrante do grupo e editor da revista Caros Amigos, esteve na sede do SindiCaixa para falar sobre o livro, publicado pela Editora Caros Amigos, e sobre os planos do grupo Interludium com relação à obra de Vito Letizia.

‘A Grande Crise Rastejante’ chega às bancas

Com debates na Associação dos Professores da PUC (Apropuc) e na Universidade de São Paulo, a Editora Caros Amigos lançou A Grande Crise Rastejante, primeiro livro de Vito Letizia, em parceria com o coletivo Interludium – reflexões anticapitalistas. A edição reúne artigos que Vito escreveu ao longo dos últimos anos sobre várias questões políticas relevantes, que passam pela crise financeira mundial, a destruição da Amazônia e as origens do que é a China hoje.

O trecho escolhido pelos editores para a contracapa ilustra bem a lucidez de Vito: “Atualmente vive-se um surto de religiosidade capitalista, dividida em duas grandes correntes. A mais importante entoa salmos a um estranho livre mercado regulado, onde há empresas privadas de serviços públicos e instituições financeiras que exercem poderes de Estado impondo taxas e encargos arbitrários e onde há lucros pré-determinados por agências reguladoras tidas como portadoras de uma justiça sobrenatural. A outra corrente, bem menor, prostra-se ante um intervencionismo estatal mais ou menos miraculoso, tido como capaz de desenvolver a economia indefinidamente, além dos limites de qualquer modo de produção imaginável. Aparentemente, as duas religiões vivem em estado de hostilidade, porém, no fundo, se complementam.”

‘História do PT’: uma resenha

“Até hoje não existe uma história do PT.” Essa frase aparece na introdução do livro História do PT (1978-2010), do historiador Lincoln Secco. Uma frase que perde o sentido literal no exato momento em que está sendo lida, pois ao lê-la o que o leitor tem em mãos é uma concisa e engenhosa reconstituição da experiência histórica do Partido dos Trabalhadores. Diga-se de passagem, reconstituição que não poderia ter sido feita antes, pois segundo o próprio autor: “O teste do poder é que permite avaliar a história de um partido.”1Eu quis fazer uma história social do PT, a partir das bases. Entrevista de Lincoln Secco ao jornalista Gilberto Maringoni para o site Carta Maior, publicada em 5 de setembro de 2011.

O eclipse da política

Protesto de estudantes na Paulista em 2011

A universidade resistiu ao primeiro autoritarismo, sobreviveu ao segundo; ainda não há sinais de que esteja decididamente enfrentando o terceiro, até pelo contrário, parece ter assumido a modernização tecnocrática como perfil definitivo. (…) Se confirmada, essa “velha senhora” não morrerá com dignidade.
(Franklin Leopoldo e Silva)

“Ninguém está acima da lei”, declarou Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, após o conflito ocorrido entre estudantes e policiais no estacionamento da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo. O conflito começou depois que três estudantes foram detidos portando maconha. “Não se pode tratar a USP como se fosse a cracolândia”, protestou Fernando Haddad, ministro da Educação, diante do “autoritarismo dos estudantes” que ocuparam a reitoria, mas também contra os possíveis excessos do uso da força policial paulista para resolver o conflito entre os manifestantes e os gestores da universidade.

O que está em jogo nessas duas boutades do discurso político? Ou melhor, como equacionar as palavras pragmáticas do governador, que afirma uma vigência da lei para todos os indivíduos, com as palavras do ministro, que parece querer distinguir a vigência da lei para os estudantes e para os viciados em crack que perambulam pelo centro de São Paulo?