No próximo dia 11, o Cemap dará posse a seu Conselho Consultivo e vai lançar o primeiro número da nova série dos Cadernos Cemap, retomando uma iniciativa dos primeiros anos do Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa (Cemap). Será uma cerimônia simples na nossa sede, um momento de confraternização que também servirá para apresentar informações sobre como anda o acervo do Cemap e os planos da nova diretoria. Estão todas e todos convidados!
A decisão de constituir um conselho consultivo nasceu das ambições desta nova fase do Cemap de aprofundar e estender o trabalho de captação, organização, pesquisa e divulgação de documentos políticos de valor histórico e teórico que são a base do acervo do Cemap desde seu início, em 1981. É bom lembrar que o Cemap reúne um dos mais importantes acervos sobre a história do movimento operário brasileiro, com conjuntos vindos de Mário Pedrosa, Fúlvio Abramo, Plínio Mello, Raul Karacik, e Lélia Abramo, entre outros, além de fundos de organizações de esquerda, de jornais alternativos dos anos 1970 e 1980, da Livraria Palavra (que abriga documentos da Organização Socialista Internacionalista – OSI, e da corrente O Trabalho do PT) e do jornal O Trabalho. Sua vocação é abrigar e disponibilizar às novas gerações documentos relevantes de todas as correntes do movimento da classe trabalhadora.
Com essa ideia em mente, a nova diretoria decidiu convidar uma série de pessoas comprometidas com a difusão do legado histórico da luta dos trabalhadores para colaborarem como conselheiros. O nosso Conselho Consultivo, que tomará posse dia 11, tem 21 membros. São eles, em ordem alfabética: Adriano Diogo, Bernardo Boris Vergaftg, Eduardo Goo Nakashima, Eudes Baima, Flávio Carrança, Francisco Foot Hardman, Helena Abramo, Isabel Loureiro, José Castilho Marques Neto, Julio Turra, Laura Capriglione, Marcelo Coutinho, Maria Cristina Leme Gonçalves, Michael Löwy, Murilo Leal, Paulo Moreira Leite, Quito Pedrosa, Roberto Vital Anav, Rogério de Campos, Sebastião Neto e Vladimir Sacchetta.
‘Cadernos Cemap’, um sonho antigo
Já o projeto de retomar os Cadernos Cemap é um desejo nosso faz tempo, mas só agora tornou-se possível concretizá-lo. Há mais de 40 anos, o Cemap publicou dois números do que pretendia ser uma publicação periódica, em que cada volume teria um tema histórico central e reuniria artigos e material do acervo do Cemap sobre ele. Um projeto ambicioso e saboroso, que tem tudo a ver com a missão do Cemap de pesquisa e divulgação de documentos de valor histórico do movimento operário.
O primeiro número dessa fase inicial, de outubro de 1984, tinha como tema a Frente Única Antifascista (FUA), e abordava em especial o episódio que ficou conhecido como a Batalha da Praça da Sé, ou a “revoada dos galinhas verdes”, quando as organizações de esquerda e sindicais unidas desmantelaram um ato público que os integralistas tinham chamado para a praça, em 7 de outubro de 1934. O segundo número, de maio de 1985, era sobre o presídio político Maria Zélia e trazia artigos de Antonio Candido e Décio de Almeida Prado e uma peça de Paulo Emílio Salles Gomes.
Na estreia da nova série, voltamos a falar da FUA, mas o foco é a trajetória de Fúlvio Abramo, que teve um papel muito importante tanto nos acontecimentos de 1934, como, meio século depois, no trabalho de contar essa história, à época praticamente desconhecida. Fúlvio, integrante dos primeiros grupos trotskistas no Brasil, militante por décadas, preso político da ditadura Vargas, exilado, petista, foi o idealizador e fundador do Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa, que presidiu até 1993. Em seu último e importante combate, Fúlvio deu forma ao Cemap, tanto a instituição como o arquivo, e a ele incorporou vários acervos, documentação preservada por muitos de seus camaradas ao longo do século passado.
Esta edição de Cadernos Cemap traz um longo artigo de Fúlvio, publicado em 1946 no jornal Vanguarda Socialista, de Mário Pedrosa. Neste texto quase desconhecido que resgatamos, Fúlvio, de volta de seu longo exílio na Bolívia, analisa os trágicos episódios de julho de 1946 naquele país. Também publicamos seis cartas inéditas que fazem parte do Acervo Paula Abramo, neta de Fúlvio. Elas cobrem um período que vai de sua clandestinidade em São Paulo ao tempo em que esteve preso no Maria Zélia e se encerram com sua correspondência quando se exilou na Bolívia. Por fim, publicamos outros documentos inéditos e recém-descobertos: as transcrições de entrevistas que o historiador francês Pierre Broué fez com velhos militantes trotskistas quando esteve no Brasil, em 1979 – o próprio Fúlvio Abramo, Hermínio Sacchetta, Plínio Gomes de Mello e Victor de Azevedo.
A comemoração começará às 19 horas na nossa sede, na Sala Fúlvio Abramo, na Praça da República, 468, 7º andar (entre as ruas Pedro Américo e Timbiras), no centro de São Paulo.

