O Conselho Consultivo do Centro de Documentação e Memória (Cedem) da Unesp está de cara nova. A partir de agora, ele passa a ser integrado por representantes das áreas da universidade que têm relação direta com a questão dos acervos. E, pela primeira vez, as entidades responsáveis pelos fundos documentais e arquivos que estão sob custódia do Cedem serão representados: nesta gestão, pela diretora-geral de Cemap-Interludium, Lúcia Pinheiro. A mudança, que já era discutida há algum tempo, amplia o caráter participativo do Conselho Consultivo e sem dúvida dará mais dinamismo a seu trabalho de colaborar na definição dos rumos e linhas de ação do Cedem.
A partir de uma carta de protesto de funcionários do Google e da Amazon, mais de 40 organizações de defesa da causa palestina e dos direitos humanos lançaram a campanha No Tech For Apartheid, para que as duas empresas voltem atrás em um contrato para fornecer tecnologia em nuvem ao governo de Israel e às suas forças armadas.
Na carta aberta, os funcionários argumentam que o chamado projeto Nimbus permitirá a ampliação da vigilância sobre os palestinos e facilitará a expansão dos assentamentos israelenses ilegais na Faixa de Gaza, o que faz da Amazon e do Google cúmplices das violações dos direitos humanos dos palestinos pelo governo israelense.
Cemap-Interludium se junta à campanha e chama todas e todos a fazerem o mesmo, incluindo seu nome no abaixo-assinado que está no site No Tech For Apartheid e divulgando a campanha em suas mídias sociais – no site é possível baixar imagens e gráficos.
Desde o dia 27, pesquisadores que queiram consultar em pessoa os acervos do Centro de Documentação e Memória (Cedem) da Unesp, já podem agendar visitas às suas instalações. A retomada da pesquisa presencial será realizada de forma gradual e seguirá todos os protocolos sanitários e orientações do Comitê Covid-19 da Unesp, para garantir a segurança de usuários e funcionários.
Neste primeiro momento, o atendimento presencial ocorrerá apenas uma vez por semana, das 13 horas às 16 horas, por agendamento. O interessado precisa solicitar o agendamento pelo e-mail pesquisa@cedem.unesp.br e aguardar o retorno do funcionário para outras orientações.
Nota de leitura sobre o livro recém-lançado de Angela Mendes de Almeida.
Isabel Loureiro
Cada crise engendra não só um novo futuro, mas um novo passado.
“O fundo do ar é vermelho”, Chris Marker
Neste pesadelo em que a roda da história girou algumas décadas para trás, assistimos ao retorno do fascismo e ao revival midiático de seu irmão siamês, o stalinismo. Nas redes sociais pulula a defesa da Rússia, da Coreia do Norte, da China como países supostamente socialistas. E o mesmo acontece com a antiga URSS: os gulags e a violência contra os adversários políticos são justificados – vistos como mal menor na construção da “pátria socialista” contra o imperialismo norte-americano –, prova provada de que a ideia de aperfeiçoamento contínuo da humanidade não passa de ilusão.
É bem verdade que o desejo de retorno a uma mítica idade de ouro comunista que nunca existiu, por parte de uma parcela da juventude de esquerda que se autodenomina revolucionária, decorre do desespero ante a barbárie capitalista, acentuada com a pandemia de covid-19, e também do desencanto com a tibieza da esquerda reformista e de suas políticas de gestão do capitalismo. Ao mesmo tempo existem tentativas sérias de jovens militantes de organizações marxistas-leninistas de atualizar a política de Lenin, fazendo uma releitura das ideias de vanguarda revolucionária e de centralismo democrático, que, como sabemos, sempre foi mais centralista que democrático. Este livro, ao mostrar os impasses a que levou o autoritarismo comunista, é imprescindível para todos eles.
Centenas de pessoas se reuniram este sábado em frente ao prédio principal da Cinemateca Brasileira em São Paulo para protestar contra o descaso do governo e cobrar ações imediatas de proteção e manutenção do mais importante acervo da história audiovisual do Brasil.
O incêndio que no dia 29 destruiu parte do galpão da Cinemateca na Vila Leopoldina, e com ele materiais preciosos como a biblioteca de Glauber Rocha e boa parte dos acervos da Embrafilme e de Paulo Emílio Salles Gomes, foi o que motivou a manifestação e é o golpe mais recente em uma série de desastres e omissões dos últimos governos com relação à Cinemateca e à área da cultura em geral.
Até quando o Brasil e os brasileiros suportarão tanto descaso e tantos ataques à sua memória?
O Brasil a cada ano que passa perde mais e mais a pouca memória que conseguiu a duras penas conservar. Infelizmente o que aconteceu na Cinemateca Brasileira, o quinto incêndio, vem de muito antes do atual governo das trevas. Esses incêndios marcam a trajetória desta que é uma das mais importantes instituições de preservação de acervos de cinema do mundo e a reserva histórica do cinema nacional. É uma história que se repete como tragédia. Basta lembrar o incêndio do Museu Nacional em 2018, também um desastre anunciado, que ocorreu por causa da falta de verbas para manter pessoal técnico que o preservasse.
Paulo Galo, do coletivo Revolução Periférica, foi preso hoje, quando se apresentou voluntariamente ao 11º Distrito Policial para depor sobre o incêndio da estátua de Borba Gato na zona sul de São Paulo. A surpresa com a detenção, incomum em casos em que não há vítimas, não ficou por aí. A juíza também determinou a prisão de sua companheira, Géssica Barbosa, que nem mesmo estava no ato de protesto. Mais uma vez, o judiciário toma uma atitude arbitrária porque os acusados são trabalhadores, militantes e da periferia. Isso tem que parar. Paulo e Géssica devem ser soltos e responder ao processo em liberdade!






