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Apontamentos sobre o lugar da história em ‘O Capital’ de Marx

Emmanuel Z. C. Nakamura*

§ 1 – Minha comunicação tem como objetivo apontar para o lugar da história no Livro I d’O Capital. Seguindo Ingo Elbe, em Marx im Westen: die neue Marx-Lektüre in der Bundesrepublik seit 1965 (2008), tentarei contextualizar as quatro maneiras em que a história é considerada, a saber: a) o duplo modo em que a história é considerada dentro do modo de apresentação lógico-sistemática: 1) o conteúdo especificamente histórico das categorias; 2) as condições estruturais da dinâmica histórica que se desdobram dentro da formação capitalista, mas cujos resultados não são dedutíveis; b) o duplo modo como a história é considerada como limitação da forma de análise lógico-sistemática: 3) a contingência histórica de um acontecimento singular que não provém necessariamente das estruturas fundamentais do sistema; e 4) o devir histórico externo ao sistema, mas incorporado ao conceito de capital como a pressuposição para a autorreprodução do sistema. Minha hipótese é que essa contextualização me permitirá apontar para a tentativa marxiana de demonstrar o sistema capitalista como um sistema finito e para a dimensão do político implícita nessa tentativa.

O make up do trabalho

Uma empresa e um milhão de revendedoras de cosméticos

Ludmila Costhek Abilio*

Esta dissertação analisa o trabalho das revendedoras de cosméticos de uma empresa brasileira, e discute a ausência de formas-trabalho dessa ocupação. A Natura é atualmente uma das mais reconhecidas e bem-sucedidas empresas brasileiras de cosméticos e produtos de higiene pessoal. A marca tem uma notável visibilidade social; já o mesmo não acontece com as mulheres que realizam no Brasil a distribuição dos produtos em sua totalidade. Denominadas “consultoras”, as vendedoras (a grande maioria é feminina) desempenham uma atividade que para elas se realiza desprovida de regulações públicas e, mais do que isso, que pode nem mesmo ter a forma-trabalho reconhecida.

A relação da empresa com os vendedores baseia-se na ausência de vínculos empregatícios: são juridicamente reconhecidos como “vendedores ambulantes”. A opção de registrar-se como trabalhador autônomo é de responsabilidade do vendedor – em todas as entrevistas realizadas, as vendedoras permaneceram na informalidade. Essa relação de trabalho tornou-se meu ponto de partida para problematizar a informalidade e a exploração do trabalho em suas formas contemporâneas. A centralidade do trabalho para a acumulação capitalista na atualidade estrutura toda a análise.

Do objeto útil ao valor

 

“A riqueza das sociedades em que domina o modo de produção capitalista aparece como uma imensa coleção de mercadorias.”

(Karl Marx, “O Capital”, primeiro parágrafo do primeiro capítulo.)

Vito Letizia, 8 de fevereiro de 2011

1. A Origem das Mercadorias

1.1. Coisas e Mercadorias

Riqueza, em termos gerais, é o conjunto das coisas capazes de satisfazer necessidades. Muito mais do que nos modos de produção precedentes, em que as trocas estavam menos desenvolvidas, a riqueza no modo de produção capitalista é constituída por mercadorias. Pois tudo que é apreciado na sociedade capitalista é comerciável e nela quem nada tem para vender e nada pode comprar não tem acesso à riqueza.

Jornadas do outono francês

Apontamentos sobre o atual estado da luta de classes na França

Danilo Chaves Nakamura*

“Se a emancipação das classes operárias requer o seu concurso fraterno, como é que irão cumprir essa grande missão com uma política externa que persegue objetivos criminosos, joga com preconceitos nacionais e dissipa em guerras piratas o sangue e o tesouro do povo?”
Karl Marx, julho de 1870

No fim de 2010, massivas mobilizações populares contra a reforma da previdência social de Nicolas Sarkozy ocorreram em diversas cidades da França. A partir delas, e de acontecimentos similares em outros países da Europa, o historiador Danilo Nakamura vê a retomada da luta de classes e analisa a situação da classe trabalhadora nesta época de crise econômica e dominação do capital financeiro.

A contradição imanente do capital

A contradição imanente do capital e a sua evidenciação com a generalização da maquinaria

Emmanuel Z. C. Nakamura*

§ 1 – Minha comunicação é um dos resultados de minha pesquisa de mestrado concluída em 2010 na Unicamp, sob a orientação do Prof. Dr. Marcos L. Müller. Meu objetivo era analisar o conceito marxiano de Acumulação Originária. Faço essa consideração apenas para dizer que minha compreensão da concepção marxiana de contradição é limitada, pois não foi propriamente meu objeto de análise. Mas procurei incluir também nesta comunicação alguns resultados parciais de minha pesquisa de doutorado, que iniciei neste ano de 2010 e que objetiva de estudar, num primeiro momento, uma linha do pensamento alemão marxista das décadas de 1960-1970, conhecida como “neue Marx-Lektüre”.

Reificação e organização política em ‘História e Consciência de Classe’

Danilo Nakamura*

O objetivo deste trabalho não é dissertar sobre o que Lukács “realmente disse” em História e Consciência de Classe. Nossa intenção é simplesmente buscar uma apresentação sintética de algumas ideias do livro com o intuito de levantar perguntas, questionar a validade de algumas afirmações e, principalmente, tentar defrontar algumas verdades contingentes do período em que o livro foi pensado com os dilemas atuais. Destacaremos o problema da organização política.

O outro lado da moeda

Um estudo da luta anticapitalista no Brasil em tempos de capitalismo financeiro

Olívia Carolino Pires

O presente artigo busca reunir elementos a partir da perspectiva crítica marxista para resgatar o conteúdo anticapitalista dos instrumentos políticos que a classe trabalhadora criou historicamente, de modo a ter elementos para uma reflexão acerca da originalidade dos instrumentos políticos da classe trabalhadora no Brasil como potencial de fazer luta anticapitalista.

Está colocado para estas reflexões o exame dos desafios do enfrentamento entre capital e trabalho em tempos de valorização do capital por dominância financeira que nos remete ao entendimento em Marx que só como dinheiro mundial a forma dinheiro encontra a forma adequada ao conteúdo do dinheiro, ou seja, em sua forma abstrata com vínculo tênue ou inexistente com o processo produtivo e livre dos limites da forma de moeda emitida pelo poder de senhoriagen dos Estados nacionais. O “outro lado da moeda” seria examinar o movimento dos trabalhadores enquanto classe organizada, no sentido de que – assim como a forma dinheiro – é só como movimento mundial em confronto com o capital que o “proletariado” encontra seu conteúdo.