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Heleny Telles Ferreira Guariba (1941-1971)

Heleny Ferreira foi estudante de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), e especializou-se em cultura grega e dramaturgia. Em 1962, ela se casou com Ulisses Teles, com o qual teve dois filhos, Francisco e João Vicente. Em 1965 recebeu uma bolsa de estudos do Consulado da França e morou na Europa com o marido e seus filhos até 1967.

Libelu – Abaixo a Ditadura 2020

Imagens da Libelu

O documentário Libelu – Abaixo a ditadura, dirigido pelo cineasta e jornalista Diógenes Muniz, foi selecionado para participar do “É Tudo Verdade 2020”, o maior festival de documentários da América Latina. No filme, Muniz resgata um pouco da trajetória da tendência do movimento estudantil Liberdade e Luta. A fase presencial do festival fora adiada para setembro por causa da pandemia da covid-19.

Conhecida como Libelu, a tendência surgiu na segunda metade da década de 1970, em plena ditadura. Com forte influência trotskista, foi responsável por tirar das portas de banheiros e levar para as ruas a palavra de ordem “abaixo a ditadura”. Presente principalmente na USP, teve papel importante na reconstrução das entidades estudantis e na organização das grandes passeatas de 1977.

1º de maio de 1980

Há 40 anos, mais de 150 mil metalúrgicos tomaram o estádio da Vila Euclides em São Bernardo do Campo (ABC). Nesse período atravessado por sucessivas paralisações nos anos anteriores, a deflagração da ditadura militar implantada em 1964 abriu caminho pela luta por direitos trabalhistas, aumento salarial e melhores condições de vida. Assim, diante de uma conjuntura danosa aos operários, nasceu uma das maiores mobilizações do país até então.

O reflexo das greves de 1978 e 1979, as manifestações contra o arrocho salarial e pela volta dos exilados políticos deram resultados. Em fevereiro de 1980 com a grande articulação entre sindicatos de todo o país, nasce o PT, sendo oficializado como partido político em 10 de fevereiro do mesmo ano pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Neste cenário as greves e as manifestações públicas cresceram cada vez mais. Diante disto, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, que estava em greve desde o dia 1º de abril, com a diretoria cassada e sob a proteção da Igreja Católica, convocou o 1º de Maio para o Estádio da Vila Euclides, sob as bandeiras da “liberdade e autonomia sindical, direito de greve, garantia de emprego, salário mínimo nacional real e unificado”.

O início da grande greve

Os últimos anos da década de 1970 viram renascer um novo movimento sindical. Depois da longa ausência que se seguiu à brutal repressão às greves de 1968 de Osasco e Contagem, a classe operária voltou à cena em grande estilo, aprofundando a crise da ditadura e questionando os limites da “abertura lenta, gradual e segura” dos ditadores Geisel e Figueiredo.

A repressão ao movimento operário e sindical começou logo depois do golpe militar de 1964. O AI-2 de 1965 tornava crime qualquer tipo de protesto ou demonstração pública contra o governo militar e determinava a cassação de direitos políticos de quem deles participava. Em 1968 veio o AI-5, o mais brutal dos atos institucionais.

Assassinato de Merlino condena o torturador Ustra

Luiz Eduardo Merlino (1948-1971) foi jornalista (trabalhou nos jornais Folha da Tarde e Jornal da Tarde), líder estudantil e militante do POC (Partido Operário Comunista). Foi brutalmente torturado e assassinado por agentes da ditadura militar brasileira. Há versões diferentes para seu desaparecimento, algumas contadas por seus amigos e companheiros, outras por relatos médicos e meios oficiais.

Em 1971, quando tinha 23 anos, ele e sua companheira, Angela Mendes de Almeida, fizeram uma viagem a Paris, onde participaram de atividades e reuniões com estudantes, professores, intelectuais e militantes. Logo depois de retornar ao Brasil, em 15 de julho, Merlino, que passava pela casa de sua mãe, em Santos (SP), foi abordado e detido por agentes da Operação Bandeirante (Oban), promovida pelo DOI-CODI do II Exército.

Zuzu Angel

Zuzu Angel, em 1972. Arquivo Nacional.

A luta de uma mãe em busca de seu filho

Zuzu Angel foi uma das mais importantes estilistas e figurinistas da história da moda no Brasil. Após o desaparecimento de seu filho, Stuart, Zuzu realizou em  1971  um desfile-protesto no consulado brasileiro em Nova York. Suas criações estilísticas incorporaram elementos que denunciavam as arbitrariedades do governo militar.

Stuart Edgar Angel Jones era filho do estadunidense Norman Jones e de Zuleika Angel Jones, mais conhecida, no Brasil e no mundo, como Zuzu, estilista e figurinista. Stuart era estudante de Economia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e bicampeão carioca em remo pelo Clube de Regatas Flamengo.

No fim do anos 1960 e início dos anos 1970, momento de endurecimento da ditadura, especialmente após a decretação do AI-5 (Ato Institucional nº5), Stuart passou a militar no MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), contra a repressão e pelo fim do regime militar instaurado em 1964.

Memória

Vítimas da ditadura

Como acontece hoje com Lula, a história das lutas das organizações populares contra o capital confunde-se com a história das lutas pela libertação de seus militantes jogados aos cárceres, torturados e mortos pela polícia e pela justiça submetidas aos patrões.

Vamos recuperar, neste espaço, a história de algumas lutas memoráveis travadas em defesa de nossos combatentes.