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Fúlvio Abramo: uma breve trajetória da luta antifascista

Acervo de imagens de domínio; Fúlvio Abramo.

O jornalista e militante trotskista, Fúlvio Abramo, teve ao longo de sua estrada uma vida um tanto quanto agitada; foi repórter e editor, trabalhou na revista Realidade (1966-1976), foi professor de botânica e diretor da Escola de Agricultura e Veterinária de Santa Cruz de La Sierra. Encarcerado diversas vezes, fez parte do Partido Socialista Brasileiro nos anos 1941 e participou da fundação do PT em 1980, colaborando com o jornal O Trabalho até o final de sua vida. Fundou e dirigiu o Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa (CEMAP). É autor da ilustre obra A Revoada dos Galinhas Verdes, onde descreve a batalha entre integralistas e antifascistas na São Paulo da década de 1930.

O antifascismo é uma luta atemporal

Hoje, como ontem, os fascistas tentam ocupar os espaços públicos para transformá-los em seu oposto: espaços de opressão, autoritarismo e barbárie. Eles tentaram, em outubro de 1934, ao convocarem uma manifestação na Praça da Sé, para consolidar a formação do partido nazista no Brasil, como mostra a entrevista publicada pela primeira vez, no jornal Folha de S. Paulo, em outubro de 1984, que reproduzimos em seguida. Os fascistas foram então derrotados. E hoje serão novamente, pela força da juventude, dos trabalhadores e de todos os setores que se identificam com a democracia, incluindo as vibrantes torcidas que saem às ruas contra o governo Bolsonaro.

Fúlvio Abramo – A trajetória de um militante antifascista

As lutas de um dos fundadores da Frente Única Antifascista, que em 1934 dissolveu uma grande manifestação integralista na praça da Sé

José Arbex Jr.*

1934, 7 de outubro. A insuportável tensão na praça transparecia cristalina na ansiedade das milhares de pessoas ali concentradas. Todos sabiam que aquele domingo paradoxalmente acolhedor presenciaria uma tragédia, antes mesmo do ameno sol da tarde desaparecer no horizonte. Os minutos passavam muito lentos naquela praça.

Um jovem trabalhador de feições enérgicas destacou-se da multidão e iniciou um discurso. Num tom grave, apontou uma outra concentração, situada dezenas de metros adiante e afirmou: “Companheiras, companheiros trabalhadores, camaradas! Estamos aqui para impedir que eles tomem esta praça. Porque se hoje os fascistas tomarem esta praça, amanhã tomarão o Estado…”

Foi então que a fuzilaria começou. Os integralistas, que compunham o grupo mais adiante, começaram a atirar sobre a concentração democrática e antifascista. Pessoas tombaram mortas ou feridas. Houve correria, gritos e sangue por todo o lado. A tragédia havia começado.