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O antifascismo é uma luta atemporal

Montagem sobre o movimento antifascista nos anos 1930 e hoje.

Hoje, como ontem, os fascistas tentam ocupar os espaços públicos para transformá-los em seu oposto: espaços de opressão, autoritarismo e barbárie. Eles tentaram, em outubro de 1934, ao convocarem uma manifestação na Praça da Sé, para consolidar a formação do partido nazista no Brasil (chamado de integralista), como conta Fúlvio Abramo em entrevista dada ao jornalista José Arbex Jr. em outubro de 1984.

Os fascistas foram então derrotados. E hoje serão novamente, pela força da juventude, dos trabalhadores e de todos os setores que se identificam com a democracia, incluindo as vibrantes torcidas que saem às ruas contra o governo Bolsonaro.

Fúlvio Abramo – A trajetória de um militante antifascista

1934, 7 de outubro. A insuportável tensão na praça transparecia cristalina na ansiedade das milhares de pessoas ali concentradas. Todos sabiam que aquele domingo paradoxalmente acolhedor presenciaria uma tragédia, antes mesmo do ameno sol da tarde desaparecer no horizonte. Os minutos passavam muito lentos naquela praça.

Um jovem trabalhador de feições enérgicas destacou-se da multidão e iniciou um discurso. Num tom grave, apontou uma outra concentração, situada dezenas de metros adiante e afirmou: “Companheiras, companheiros trabalhadores, camaradas! Estamos aqui para impedir que eles tomem esta praça. Porque se hoje os fascistas tomarem esta praça, amanhã tomarão o Estado…”

Foi então que a fuzilaria começou. Os integralistas, que compunham o grupo mais adiante, começaram a atirar sobre a concentração democrática e antifascista. Pessoas tombaram mortas ou feridas. Houve correria, gritos e sangue por todo o lado. A tragédia havia começado.