Menu fechado

Anos de chumbo: os filmes do período da ditadura (parte 1)

A memória, o conhecimento da história, é a maior arma de que dispomos para compreender acontecimentos atuais, não repetir erros e avançar. Apesar disso, quanto mais tempo passa, mais a ditadura brasileira parece uma coisa abstrata, algo “chato”, “triste”, que aconteceu, mas foi superado e acabou. Um período da história que já se encerrou, ficou para trás.

Essa impressão é muito estimulada hoje em dia, com todo tipo de discurso, a começar pelo da “ditabranda” de triste fama. E não é pra menos: com isso se esconde a realidade de que a ditadura deixou uma herança ainda muito viva, em especial no comportamento dos órgãos de repressão. Varre-se pra debaixo do tapete não só os mortos, presos e vítimas de tortura, mas todos aqueles que, mesmo sem nenhum vínculo com organizações de esquerda, foram prejudicados por um governo que censurava a liberdade de expressão, proibia qualquer manifestação contra ele, deturpava os currículos nas escolas para “vender” a história do Brasil que o favorecia e buscava impedir com todas as (muitas) forças de que dispunha qualquer investigação sobre massacres e corrupção.

Por que não esquecer a história do golpe de 1964 e a ditadura

Everaldo de Oliveira Andrade*

A ditadura militar brasileira não é um capítulo encerrado da história. Seus crimes seguem sem punição, seus arquivos permanecem em grande parte ocultos e suas estruturas continuam presentes no Estado e na vida política do país. Por isso, recordar o golpe de 1964 não é apenas um exercício de memória: é uma necessidade política.

Durante décadas, setores da burguesia e parte da própria historiografia buscaram apresentar o golpe como uma “reação” inevitável ou como uma etapa transitória rumo à redemocratização. Essa narrativa oculta o essencial: a ditadura foi uma resposta violenta à ascensão das lutas operárias, camponesas e estudantis, articulada com o imperialismo para bloquear a organização independente das massas.

6ª Caminhada do Silêncio pelas vítimas da violência do Estado

Cartaz da 6ª Caminhada do Silêncio

Entidades de defesa dos direitos humanos e movimentos sociais fazem neste domingo, 29 de março, a 6ª edição da Caminhada do Silêncio, para marcar a data do golpe militar que instaurou a ditadura no Brasil, em 1964, lembrar seus mortos e desaparecidos políticos e todas as vítimas da violência de Estado. O ato começará com uma concentração às 16 horas na frente do antigo Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna, o DOI-Codi, que foi o principal centro de torturas da ditadura. De lá, os manifestantes caminharão até o Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos, no Parque Ibirapuera.

‘Revoluções brasileiras’ ganha nova edição

Detalhe de cartaz do lançamento do livro "Revoluções brasileiras"

A Editora Unesp vai lançar no dia 26 a segunda edição do livro Revoluções brasileiras, de Gonzaga Duque. Revista e ampliada, a obra discute movimentos e revoltas sociais do Brasil colônia e pós-independência, com uma visão crítica que lhe confere muita atualidade em um momento tão turbulento como o que vivemos nos últimos anos. O lançamento será na Livraria Ponta de Lança, às 19h30.

Cemap recebe documentação de Arkan Simaan em cerimônia com muita história

A atriz Gabriela Rabelo, que militou no 1º de Maio e foi companheira de Chico Solano, fala no ato de doação do acervo de Arkan Simaan (na tela ao fundo). Na mesa, Bárbara Corrales, Walter Paixão e Edmar Macedo

O evento realizado para formalizar a doação do fundo documental do físico, escritor e ativista Arkan Simaan ao Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa (Cemap), ocorrido na sede do Centro de Documentação e Memória da Universidade Estadual Paulista (Cedem/Unesp) em 7 de novembro, foi marcado pela sensação de dever cumprido e pela reunião de histórias.

A começar pela da própria chegada do arquivo Arkan Simaan-Chico Solano ao Cemap, que só foi possível graças à união dos esforços de Walter Paixão, ex-militante da Organização Comunista Primeiro de Maio, e do pesquisador Edmar Macedo, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), responsável pela intermediação da doação dos documentos. Isso sem falar, é claro, do próprio Arkan, que reuniu e conseguiu manter preservado o material que acumulou a partir de sua atividade política.

A memória como subsídio para o enfrentamento do cenário político atual

Mesa do ato de comemoração da Frente Única Antifascista (FUA) e dos 91 anos da Batalha da Sé

Com o auditório cheio, Cemap-Interludium promoveu em 7 de outubro o ato de celebração dos 91 anos de um dos principais episódios de resistência operária no Brasil, a Batalha da Praça da Sé, ocorrida na mesma data, em 1934. A nova diretoria e o conselho fiscal da nossa oscip tomaram posse no evento, que também marcou o lançamento do livro Fulvio Abramo, meio século de luta pela 4ª Internacional.

A comemoração foi a primeira atividade pública da nova gestão e teve apoio da Associação Nacional de História (Anpuh) – São Paulo e do Centro de Documentação e Memória (Cedem) da Universidade Paulista (Unesp). O ato aconteceu no auditório da Fundação Editora da Unesp, na mesma Praça da Sé em que, exatos 91 anos antes, a Frente Única Antifascista (FUA) pôs os membros da fascista Ação Integralista Brasileira (AIB) para correr.

Cemap recebe fundo documental de Arkan Simaan

Cartaz do ato de recebimento do fundo Arkan Simaan pelo Cemap

Cemap-Interludium anuncia a integração do fundo documental do físico, escritor e ativista Arkan Simaan ao Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa (Cemap). A doação será formalizada em cerimônia no dia 7 de novembro de 2025, às 15 horas, no auditório do Cedem/Unesp, localizado na Praça da Sé, 108, no centro de São Paulo.

O fundo chega ao acervo do Cemap por intermédio do pesquisador Edmar Macedo, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que estará presente para a entrega simbólica da documentação. O evento contará com a presença de diretores de Cemap-Interludium e de representantes do Centro de Documentação e Memória da Universidade Estadual Paulista (Cedem/Unesp) e é aberto ao público.