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A novidade da recusa do MPL: uma vitória popular

Caio de Andrea*

Começo este texto com meu testemunho e sobretudo minha alegria. O Movimento Passe Livre (o MPL) inaugura um novo modo de ação política popular que não tarda a demonstrar seus resultados. Qualquer um que tenha se proposto às passeatas pelas ruas de nossa cidade sabe do que se trata, pois experimenta: já há vitória para comemorar quando um brado (tal como este, ecoando uma torcida que já não é por time de futebol: “Ôôôô / O povo acordou / O povo acordou / O povo acordôôôÔ”) é entoado a plenos pulmões por 5 mil pessoas e, depois de muita cacetada da polícia, por umas 7 mil pessoas, e depois de muito mais cacetada ainda, por umas 10 mil pessoas, e hoje, ápice total da brutalidade generalizada, por umas 15 mil pessoas…

A luta pelo passe livre continua

O sítio Interludium disponibiliza mais alguns artigos e imagens sobre a luta contra o aumento das tarifas dos transportes públicos (ônibus, trem e metrô) em São Paulo. O Movimento Passe Livre defende, para além de uma tarifa “R$ 0,20 mais barata”, outra concepção de transporte. E nesse sentido é preciso entender esses atos como uma disputa por uma outra sociedade.
Neste post, destacamos três artigos: “3° ato: São Paulo para, Haddad viaja”, do Coletivo Passa Palavra; “Passe livre e o direito de ir e vir”, de Jorge Souto Maior e “Tarifa Zero, do PT de Erundina ao PT de Haddad”, de Thais Carrança.

Movimento Passe Livre – Luta contra o aumento das tarifas

O sítio Interludium – Reflexões Anticapitalistas disponibiliza artigos e vídeos sobre a luta contra o aumento das passagens de ônibus, metrô e trem, anunciados pela Prefeitura de São Paulo, comandada por Fernando Haddad, e pelo governo de São Paulo, chefiado por Geraldo Alckmin. O Coletivo Interludium apoia os protestos e deixa o espaço aberto para aqueles que queiram divulgar alguma reflexão sobre o tema.

“Dia Mães de Maio”

Agora é definitivo: 12 de maio será o “Dia Mães de Maio” no calendário oficial do Estado de São Paulo. O decreto, publicado no “Diário Oficial”, é um passo importante na luta das mães que tiveram seus filhos mortos pela Polícia Militar entre 12 e 20 de maio de 2006 – um dos maiores massacres da história da “democracia” brasileira, em que mais de 400 jovens foram assassinados sem qualquer direito a defesa.

Denis Collin e a questão da liberdade

“A aspiração natural é de sermos nós mesmos nosso próprio mestre”

Entrevista do filósofo Denis Collin a Laurent Etre, do jornal L’Humanité.

Filósofo iconoclasta, Denis Collin identifica as falsas liberdades da sociedade contemporânea. Ao analisar as origens profundas da “obsessão pela segurança”, da manipulação de Sarkozy em torno do “valor do trabalho” ou certos desvios do progresso científico, ele repensa a liberdade como uma não-dominação, em termos de um “comunismo republicano”.

Confira sua entrevista a Laurent Etre, publicada pelo jornal L’Humanité em 22 de abril de 2011 e pelo site La Sociale, três dias depois.

Por que repensar o programa ideológico da esquerda a partir da noção de liberdade, como você faz no seu último livro, La Longueur de la chaîne?1La Longueur de la chaîne, Essai sur la liberté 
au XXIe siècle. Éditions Max Milo, 2011. No atual contexto social, marcado principalmente pelos planos de austeridade na Europa e pelo crescimento contínuo das desigualdades, o que se espera das forças progressistas não é sobretudo sua capacidade de indicar os caminhos para uma verdadeira igualdade?

Jornadas do outono francês

Apontamentos sobre o atual estado da luta de classes na França

Danilo Chaves Nakamura*

“Se a emancipação das classes operárias requer o seu concurso fraterno, como é que irão cumprir essa grande missão com uma política externa que persegue objetivos criminosos, joga com preconceitos nacionais e dissipa em guerras piratas o sangue e o tesouro do povo?”
Karl Marx, julho de 1870

No fim de 2010, massivas mobilizações populares contra a reforma da previdência social de Nicolas Sarkozy ocorreram em diversas cidades da França. A partir delas, e de acontecimentos similares em outros países da Europa, o historiador Danilo Nakamura vê a retomada da luta de classes e analisa a situação da classe trabalhadora nesta época de crise econômica e dominação do capital financeiro.

Brasil: O triunfo da experiência sobre a expectativa

“As noites cegas são poderosas, mas nós, nós somos a sua paciência”
Victor Serge

Danilo Nakamura*

Stefan Zweig (1881-1942), autor que de tempos em tempos é relembrado aqui no Brasil por ter reforçado a mitologia de que somos o país do futuro, volta a merecer citações após recente edição da revista The Economist, intitulada Brazil takes off. As 14 páginas da edição são divididas em oito artigos com títulos no mínimo sugestivos: “Getting it together at last”, “Breaking the habit”, “Survival of the quickest”, “Arrivals and departures”, “Condemned to prosperity”, “The self-harming state”, “A better today” e “Two Americas”.1“Finalmente está dando certo”, “Mudança de hábito”, “A sobrevivência do mais ágil”, “Chegadas e partidas”, “Condenado à prosperidade”, “O autoflagelo do Estado”, “Um presente melhor” e “Duas Américas”. Estas e as demais traduções são da revista Carta Capital.

De forma resumida podemos assim apresentar os artigos: O Brasil – que sempre foi visto como o país do futuro, mas que em seu passado não soube aproveitar as oportunidades – vive desde 1994 “a real miracle” com a implantação do Plano Real, a disciplina nas finanças e nos gastos públicos, um maior controle nos bancos e fundos, as privatizações de companhias públicas, as reformas para concessão de crédito e na lei de falência, etc. Com esse milagre, iniciado pelo governo Fernando Henrique Cardoso e continuado pelo governo Lula, o Brasil se tornou mais seguro e previsível para os investidores e as companhias brasileiras puderam competir no mercado exterior (Petrobras, Vale do Rio Doce, Embraer, Gerdau, CSN, Perdigão, Sadia, JBS-Friboi, Odebrecht, Camargo Corrêa, Votorantim, Natura e outras).