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Perdemos nosso companheiro Vladimir Sacchetta

foto de Vladimir Sacchetta (1950-2026)

O Centro de Documentação do Movimento Operário Mario Pedrosa (Cemap) lamenta profundamente a morte do jornalista e produtor cultural Vladimir Sacchetta, membro do nosso Conselho Consultivo.

Vladimir esteve conosco ainda nesta última segunda-feira, prestigiando o lançamento do Cadernos Cemap n° 1 – Nova Série e a posse do Conselho Consultivo, na sala Fúlvio Abramo, sede do nosso centro. Pesquisador incansável, na ocasião ele celebrou a vocação do Cemap de manter viva a memória das lutas da classe trabalhadora.

Sua ligação com o Cemap é profunda: seu pai, o jornalista e histórico militante trotskista Hermínio Sacchetta, foi um dos fundadores do centro, nos anos 1980. Pai de Paula e Felipe, Vladimir tinha um enorme orgulho de seus filhos. Durante nossa última confraternização, ele compartilhava com entusiasmo a alegria pela chegada de seu primeiro neto, Leon, filho de Paula.

Trajetória e legado

Nascido em 1950, Vladimir cresceu em um ambiente pulsante, cercado por intelectuais e escritores. Formado pela Faculdade de Direito da USP e pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, entre 1978 e 1982, foi chefe de pesquisa da coleção Nosso Século (Abril Cultural), um marco no resgate da história contemporânea do Brasil por meio de documentos visuais e textos jornalísticos.

Nos anos 1990, sua pesquisa para fazer a biografia de Monteiro Lobato transformou-se em uma verdadeira cruzada pela valorização da cultura nacional. Foi um dos fundadores da Sosaci (Sociedade dos Observadores de Saci), entidade dedicada a discutir a identidade brasileira. Sobre o autor de Taubaté, afirmava: “Lobato foi o nosso saciólogo maior.”

Sua produção intelectual foi amplamente reconhecida. Monteiro Lobato: Furacão na Botocúndia, que escreveu em coautoria com Carmen Lúcia Azevedo e Márcia Camargos, recebeu os prêmios Jabuti (Ensaio e Biografia) e Livro do Ano da Câmara Brasileira do Livro em 1998. Vladimir Sacchetta também organizou A contestação necessária: perfis intelectuais de inconformistas e revolucionários, obra póstuma de Florestan Fernandes (prêmio Jabuti de 1995), e forneceu o suporte de investigação histórica fundamental para o livro Olga (1985), de Fernando Morais. Ele fez parte ainda do amplo trabalho de pesquisa que viabilizou o projeto “Memorial da Democracia”, do Instituto Lula.

O Cemap perde um conselheiro brilhante; o Brasil perde um de seus maiores guardiões da memória.

O velório e celebração de sua vida acontecerão amanhã, sábado, das 10 horas às 12 horas, no Galpão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na Alameda Eduardo Prado, 474, Barra Funda. De lá seguiremos para o crematório da Vila Alpina, na Av. Francisco Falconi, 437, Vila Alpina.

Publicado em:Cemap,Cemap-Interludium,memória

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