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Tag: política

Lançamento: Diálogos com Vito Letizia 2

Capa do livro As origens das aspirações modernas de liberdade e igualdade‘As Origens das Aspirações Modernas de Liberdade e Igualdade’ chega às livrarias

Este segundo volume da série Diálogos com Vito Letizia reúne as discussões sobre a Revolução Francesa e a social-democracia europeia. Os teóricos marxistas formados no contexto da Revolução Russa negligenciaram a conexão entre a Revolução Francesa e a formação das reivindicações da classe trabalhadora durante o período de surgimento da social-democracia europeia, na segunda metade do século 19. A ponto de que hoje esses dois momentos parecem estar completamente dissociados.

E, no entanto, em julho de 1789, foi o povo insurgente de Paris que tomou a Bastilha, e exatos cem anos depois, na mesma cidade, num congresso socialista convocado para celebrar o centenário da queda da Bastilha, Friedrich Engels propôs a fundação de uma nova internacional, a 2ª Internacional. Ação muito clara e determinada de reconhecimento à luta travada por milhões de mulheres e homens em defesa de suas aspirações de liberdade e igualdade. A afirmação de que se reconhecer nessas lutas do passado significa reivindicá-las como próprias, significa reivindicar para a luta socialista as jornadas revolucionárias da Revolução Francesa.

Lançamento: Diálogos com Vito Letizia 1

Debate marca publicação de  ‘Contradições que Movem a História do Brasil e do Continente Americano’

Em 28 de outubro, com um debate na Associação dos Professores da PUC-SP (Apropuc) foi lançado o livro Contradições que Movem a História do Brasil e do Continente Americano, o primeiro da série Diálogos com Vito Letizia, organizado por Cemap-Interludium e editado por Alameda.
A obra é o primeiro resultado de quase cem horas de entrevistas, que percorreram, praticamente, todo o período que se convenciona chamar de “mundo moderno” até o contemporâneo. Vito preferiu partir da gênese da Revolução Francesa de 1789 para explicar todo o processo histórico subsequente, até chegar ao Brasil atual. A opção de Cemap-Interludium, de “iniciar pelo fim”, atendeu ao imperativo da necessidade: os tópicos abordados são da mais absoluta urgência para a esquerda brasileira. Referem-se ao caminho aberto pela empreitada colonial que resultou, cinco séculos depois, na formação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e na condução de Luiz Inácio Lula da Silva ao posto de presidente da República. Os argumentos de Vito abrem uma ou várias avenidas para reavaliações bastante complexas sobre o lugar relativo do Brasil no continente americano, e sobre a formação da própria sociedade brasileira. Suas interpretações questionam e colocam sob novas perspectivas fatos da história do Brasil que, normalmente, são aceitos como óbvios, e criam, com isso, a abertura de novos caminhos de atuação para aqueles que estão comprometidos com a transformação social do país.
O debate, com mediação de José Arbex Junior (PUC-SP e Cemap-Interludium), teve como debatedores os professores Antonio Rago (PUC) e Isabel Loureiro (Unicamp). Confira os vídeos:

Realidade e opinião sobre a URSS

Vito Letizia analisa a visão da esquerda sobre a URSS nos anos 1940, a partir de palestra de Mário Pedrosa

Vanguarda Socialista, artigo de Mário PedrosaREALIDADE E OPINIÃO SOBRE A URSS: NO APOGEU E APÓS A QUEDA

Em 1946 o jornal “Vanguarda Socialista”, criado por um grupo de militantes ex-comunistas e ex-trotskistas, publicou uma série de palestras sobre a Revolução russa e seus resultados, pronunciados por Mário Pedrosa, jornalista e crítico de arte, antigo militante do Partido Comunista, depois da Oposição de Esquerda fundada por Trotsky, com a qual rompera em 1939.

Vale a pena comparar a impressão causada pela URSS triunfante do tempo de Stalin, mesmo entre militantes antistalinistas como Mário Pedrosa, com a perplexidade geral de hoje ante o desmoronamento inesperado daquela potência aparentemente imbatível.

Embora crítico do sistema político vigente na URSS, Mário Pedrosa não conseguia ver rachaduras que anunciassem a futura queda do gigante. Entretanto, nem por isso deixou de mostrar muitos elementos que estavam provocando seu enfraquecimento gradativo.

Na época em que Mário Pedrosa aproveitava o fim do Estado novo no Brasil para fazer uma discussão aberta sobre “A Revolução russa e sua Evolução”, o poder de Stalin estava no apogeu. A máquina política que dominava a URSS entendia sua influência pelo mundo inteiro através dos partidos comunistas.

O termidor da Revolução Russa

O termidor da Revolução Russa

Vito Letizia

Toda revolução, no sentido próprio do termo (adquirido a partir da Revolução Francesa), é uma crise de dominação de uma classe social. O conjunto de acontecimentos que constituem tal crise põe em movimento um processo de derrubada de uma classe social dominante. Evidentemente, tal tendência pode não se realizar e a dominação em vigor pode sobreviver à crise; ou pode se realizar a meias, dando origem a uma dominação renovada, em que parte das classes sociais antes subalternas passa a partilhar o poder com parte da classe previamente dominante (como ocorreu na Revolução Inglesa). Mas no caso em que a revolução se desenvolve até suas últimas consequências há uma mudança qualitativa nas relações de dominação, trazida pelo exercício do poder por uma nova classe social.

Vito Letizia no Seminário das Quartas

Crise do capitalismo: participação de Vito Letizia no Seminário das Quartas, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP)


Apresentador – Vito Letizia é professor aposentado da PUC de São Paulo e está aqui em São Paulo por conta do lançamento do site Cemap-interludium.org.br, onde a gente reuniu os textos do Vito e do nosso grupo de estudos, que tem mais ou menos a idade desse seminário – dez anos. A gente estudou Marx, a história do movimento operário, e ontem lançamos um site reunindo esse material. Então, vou passar a palavra pro Vito.

Vito Letizia – Bom, eu estou com um problema visual que torna demorado pra mim encontrar as letras de um texto, eu me perco de lugar num texto com muita facilidade. Mas tô distinguindo o plenário, acho muito simpático, reconheci uma boa parte dele. Então, me propus falar sobre algumas coisas sobre as quais eu tenho escrito, alguns artigos a pedido do Departamento de Economia da PUC, e que foram publicados na revista da PUC. Pretendo fazer uma fala curta, levantando principalmente as coisas que os economistas não falam. Então a primeira coisa que os economistas não falam é que a crise, aquilo que chamam agora de uma nova crise, que se concentra na inadimplência de alguns Estados na zona do euro, na realidade é uma continuidade da crise começada em 2007. As principais revistas econômicas apresentam isso como uma crise nova. Elas disseram que a crise estava se resolvendo em 2009, e que em 2010 estava resolvida. Mas agora apareceu essa novidade que diz respeito à má gestão econômica da Grécia, ou a um erro de cálculo do ministro das Finanças da Islândia e assim por diante. Mas na realidade, é a continuação da mesma crise. Aliás, eu vou abrir uma exceção, teve um artigo que eu li recentemente, da Professora Rosa Marques, da Economia da PUC, que menciona isso, que é a continuação da crise de 2007, sem dar muita explicação a respeito. Então por que é continuidade da crise de 2007? Porque a crise de 2007 foi resolvida de uma maneira que na verdade adiou o desfecho catastrófico. Impediu que de imediato ocorresse um desfecho catastrófico – como aconteceu, por exemplo, nos anos 30 do século XX; porém resolveu a situação de uma maneira que agravou aqueles problemas que tinham causado a crise.