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A terceira oportunidade imperial americana

Charge de Carlos LatuffVito Letizia

Este artigo, escrito em 22 de abril de 2002, discute a ofensiva dos Estados Unidos contra o mundo islâmico, dentro de um contexto histórico.

Desde a Guerra da Secessão, as grandes guinadas na política externa dos EUA sempre foram deflagradas por explosões. A explosão do couraçado “Maine” em 1898, no porto de Havana (266 marinheiros mortos), abriu caminho à ocupação de Porto Rico e das colônias espanholas do Pacífico (mais a anexação do Havaí, reino nativo independente), logo seguida pela ocupação da zona do Canal do Panamá (1903), ao mesmo tempo em que antigas proclamações de certo direito ao lugar de potência hegemônica no continente americano entravam efetivamente em vigor.

Realidade e opinião sobre a URSS: no apogeu e após a queda


Vito Letizia

Um exame crítico da visão da esquerda sobre a URSS nos anos 1940, a partir de uma palestra de Mário Pedrosa.

Em 1946 o jornal “Vanguarda Socialista”, criado por um grupo de militantes ex-comunistas e ex-trotskistas, publicou uma série de palestras sobre a Revolução Russa e seus resultados, pronunciadas por Mário Pedrosa, jornalista e crítico de arte, antigo militante do Partido Comunista, depois da Oposição de Esquerda fundada por Trotsky, com a qual rompera em 1939.

Vale a pena comparar a impressão causada pela URSS triunfante do tempo de Stalin, mesmo entre militantes antistalinistas como Mário Pedrosa, com a perplexidade geral de hoje ante o desmoronamento inesperado daquela potência aparentemente imbatível.

A mundialização do capital

Vito Letizia

Uma análise do livro de François Chesnais, publicada na revista “O Olho da História”, em julho de 1997.

O livro de François Chesnais, A Mundialização do Capital, tem sido mal compreendido. É visto, em geral, como obra de crítica ao neoliberalismo. E, como tal, é jogado na vala comum da esquerda neokeynesiana que domina amplamente o antineoliberalismo.
François Chesnais não é neokeynesiano. Não está preocupado com sugestões para que o capitalismo retome um “desenvolvimento sustentado”. Limita-se a dissecar o capitalismo da atualidade, usando uma metodologia marxista sem concessões, para demonstrar o caráter destrutivo das forças econômicas desencadeadas com a virada thatcherista, a partir dos anos oitenta. Não é, portanto, uma crítica às políticas neoliberais. É uma crítica ao capitalismo de hoje. Ao próprio sistema.

Conquistas sociais x neoliberalismo

O povo francês trava a primeira grande batalha

Vito Letizia*

Desde 1968, não se via uma greve tão forte como a que sacudiu a França durante todo o mês de dezembro de 1995. Mais de um milhão de pessoas na rua em Paris; adesão enorme de não-grevistas, misturando todos os atingidos pela política do governo; expansão rápida do movimento, criando um fato político novo, que atingiu todo o país.

Não foi a primeira grande mobilização contra as políticas neoliberais dos governos europeus. Já ocorrera uma na Alemanha, em 1992 (servidores públicos); e depois, na França, em 1993 (Air Inter). Porém, foram lutas basicamente sindicais. Em dezembro último, ocorreu algo novo: uma manifestação maciça, claramente opondo o povo ao governo e rejeitando um plano econômico.

A Era dos Extremos

Vito Letizia

Resenha do livro A Era dos Extremos – o breve século XX, de Eric Hobsbawm, publicada na revista O Olho da História em junho de 1996.

Talvez o maior mérito do livro A era dos extremos de Hobsbawm seja transmitir uma forte impressão do tamanho da catástrofe humana que foi o século XX. Catástrofe em relação às mortandades gigantescas, sem equiparação possível com qualquer período histórico anterior. Catástrofe em relação à desvalorização do indivíduo, ao qual, durante longos momentos do século, foram negados todos os direitos humanos e civis, que haviam sido arduamente conquistados durante o “longo século” precedente: 1789-1914.

Aliás, a impressão de catástrofe é forte justamente porque o período histórico anterior se marcara em todas as mentes como o século que colocara a ideia do progresso como inevitabilidade, não só em termos materiais, mas também em relação ao avanço das liberdades, apesar das monarquias e das forças conservadoras, que resistiam tenazmente desde a Revolução Francesa.