Como acontece hoje com Lula, a história das lutas das organizações populares contra o capital confunde-se com a história das lutas pela libertação de seus militantes jogados aos cárceres, torturados e mortos pela polícia e pela justiça submetidas aos patrões.
Vamos recuperar, neste espaço, a história de algumas lutas memoráveis travadas em defesa de nossos combatentes.
Cemap-Interludium participou da 41ª Semana de Jornalismo da PUC-SP, onde apresentou seu projeto de digitalização das coleções dos jornais alternativos da época da ditadura Versus, Opinião e Movimento. A diretora-geral de Cemap-Interludium, Lúcia Pinheiro, fez parte da mesa do debate “Memória e Resistência: O papel histórico do jornalismo”, junto com Raimundo Pereira, que foi fundador e editor do Movimento, e Laura Capriglione, do Jornalistas Livres. A discussão se centrou na importância e na necessidade do jornalismo de resistência, no passado e no presente, e foi filmada pelos organizadores.
O Núcleo de Preservação da Memória Política e o Memorial da Resistência promovem neste sábado, dia 10, horas, um debate sobre o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), que foi o maior e mais conhecido centro de tortura da ditadura. Estima-se que cerca de 5 mil pessoas estiveram presas no DOI-Codi, submetidas a diversas práticas de tortura. Destas, por volta de 50 foram comprovadamente assassinadas. O encontro acontecerá às 14 horas no auditório Vitae do Memorial, no centro de São Paulo.
No fim de semana de aniversário do golpe militar de 1964, organizações populares, centrais sindicais e entidades acadêmicas organizam uma programação intensa de manifestações por todo o país. Em São Paulo, a principal é o o 6º Ato Unificado DITADURA NUNCA MAIS, a partir das 10 horas, nas dependências do antigo Doi-Codi em São Paulo (Rua Tutoia, 921). Uma das reivindicações dos organizadores, o Núcleo Preservação da Memória e o Comitê Paulista Pela Memória, Verdade e Justiça, é a transformação do prédio do antigo Doi-Codi em Lugar de Memória. Outras atividades estão previstas para hoje e amanhã.
Os 30 anos do governo popular democrático na cidade de São Paulo
Há 30 anos, Luiza Erundina tomava posse como prefeita de São Paulo. Mulher, nordestina, petista, sua vitória de virada foi a grande surpresa da eleição de 1988, contrariando todas as pesquisas, que apontavam a vitória do então candidato do PDS, Paulo Maluf. Nesta sexta-feira, dia 29, ela fará uma conferência no Centro de Documentação e Memória (Cedem) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para falar sobre sua gestão.
Em 1968, duas greves de metalúrgicos puseram pela primeira vez em xeque a mordaça imposta pela ditadura militar. Mesmo reprimidas, as greves de Contagem e Osasco foram um marco na história do movimento operário brasileiro, ao introduzir um modelo de organização dos sindicatos pela base e defender a autonomia sindical frente ao Estado. A decretação do AI-5 provocou um longo intervalo de submissão dos sindicatos, mas não apagou suas lições; dez anos depois, elas foram a base da oposição sindical que emergiu em todo o país.
É sempre bom lembrar. Há 39 anos, no dia 30 de outubro de 1979, o metalúrgico Santo Dias da Silva foi morto pela polícia militar de São Paulo quando lutava por melhores condições salariais. A inflação acumulada naquele ano, segundo o Almanaque Folha, da Folha Online, foi de 77,21%, mas o governo militar a prefixou em 45%. Ainda assim, a inflação terminou o ano ultrapassando os 50%. O custo de vida era alto, o que resultou no Movimento Contra a Carestia, liderado por mulheres simples da periferia da Zona Sul de São Paulo.
Setembro e outubro era época de campanha salarial. Os operários da Silvânia apresentaram pauta pedindo melhores salários e segurança no trabalho. Sem respostas, decidiram pela greve. Santo Dias era um líder e organizava os trabalhadores. Houve piquete. Em depoimento ao Comitê Santo Dias da Silva, a viúva Ana Dias contou que os policiais cercavam os operários que faziam piquete. Às 14 horas daquele 30 de outubro Santo foi assassinado pelo PM Herculano Leonel.